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“Enforque-se na corda da liberdade”.

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  Quinta-feira, Abril 02, 2009
"To everything (turn, turn, turn), there is a season..."

Desligo o telefone depois de falar com uma grande amiga. Uma hora e tanto trocando vozes, parece adolescência. Mas hoje já me preocupo com o valor da conta, a hora de acordar e o trabalho.

Dividimos as mesmas angústias. Rompimentos. Coisas que não entendemos. Estendemos o ombro com o som de nossos sorrisos, ora angustiados, ora graciosos, ora constrangidos. Sinceros, nessa época de quaisquer coisas. Sinceridade que perturba, como espelho, e conforta ao ser dividida.

Perguntamos como nunca ninguém nos contou que depois de alcançar um desafio, de realizar um sonho, entrar pela porta da arvorezinha, ia bater aquela sensação de "e agora, para onde"?

É crescer, perder cabelos, lutar contra a barriga enquanto enrugamos a testa, mudar a ótica, querer correr para casa da mãe e ter de resolver os problemas de nossas próprias casas. Alugadas.

Até a crise econômica, assunto de nossos pais naqueles tempos de plano verão e dinheiro congelado, agora aparece. "Vamos sair, sim, só espera o salário cair..."

Tanta conversa de mudanças.
É tanto medo, tanto erro, tantos rumos para pernas esquálidas que titubeiam.
É tudo líquido.

Como terminamos? "A vida se resolve com os lemas do Arcadismo. Coisas que o coração quer dizer e só o latim consegue". Sorrisão de besteira e boa noite, segue o abraço com beijo morno e fraternal por esse cordão helicoidal.
--
"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas que já têm a forma de nossos corpos e esquecer os nossos caminhos que nos levam sempre aos mesmos lugares.

É o tempo da travessia. E se não ousarmos fazê-la teremos ficado para sempre à margem de nós mesmos
."

FP
Sábado, Fevereiro 14, 2009
Dos rascunhos em papel

Descalço, sentado na rede, com meu Beagle de estranhos hábitos roncando de patas cruzadas no banco logo atrás de mim, abaixo o livro de Danuza Leão - a quem tenho como amiga, embora ela nem saiba de minha existência - e dou graças pelas robustas árvores da casa de minha mãe, que camuflam o progresso e as máquinas ao redor. Só o que vejo além delas é uma grande pastagem verde, um galpão antigo de telhas terracota. Antes de pensar no "até quando", levanto o livro e disperso as idéias.
Terça-feira, Janeiro 20, 2009
17 de julho de 2008

Desde lá, nenhum post e tanta coisa na vida. Fiquei sem escrever e também praticamente sem entrar aqui, nesse espaço que sempre foi tão meu, com medo. Nem eu sei bem de que. Ameacei várias vezes, rascunhei dezenas de coisas, salvei na ferramenta de publicação um começo de retrospectiva (ela virá!), pensei ter esquecido a senha... Espero, nesse ano novo e depois de tanto tempo, aparecer mais aqui no meu canto virtual.
Quinta-feira, Julho 17, 2008
Sigo

O tempo parado, a poeira assentando talvez reflita um pouco a minha vida. Essa a função deste aguadetomate, não? Passar um pouco de meu tempo, meus dias, meus afazeres, meu ócio, seja ele criativo, óbvio ou daninho. Tornar pública, a quem quiser, uma parte de mim. E assim o faz, até no silêncio dos posts, na data estática, cada vez mais longe do hoje, do agora, do futuro que tentamos a todo custo adiantar.

Estou em busca, inquieto, aprendendo a disfarçar a careta causada por alguns dissabores, tentando, aprendendo, refletindo e concluindo alguns pontos, que desatam outros. Sim, eu estou com medo. Mas, pasmem, aprendi (um pouquinho) a mudar. Não a essência, mas coisas e posições. Seguir. Talvez para isso sirva essa jornada atual, para alguém que tanto buscar enxergar na vida e nos toques da Providência uma mensagem, que poucas vezes é clara ou inteligível aos que não estão de peito aberto.
Sexta-feira, Maio 09, 2008
“And the story tellers say…"

A Adilia perguntou no Toques de Alma onde as pessoas estavam em maio de 1968, em um post com informações pessoais, juventude e muitas referências (Mandela, protestos, Quartier Latin, Martin Luther King Jr., ...). Eu ainda não estava – e nem era – em 68, mas fiquei pensando...

Em 1968 eu ainda nem era um sonho acalentado na cabeça de minha mãe, tampouco uma dúvida errante na de meu pai. Em 68 estava vagando em algum mundo por aí.

Rebentado, de 68 lembro que a juventude sempre vai ser o espelho universal no qual todos precisam ver-se refletidos, sim. É nela que mora o fôlego pra gritaria, mas nem sempre a cabeça para saber os motivos do alarde. E, como disse o Lobo da Estepe, eu estou cônscio da existência desse espelho, no qual tenho uma necessidade tão amarga de olhar-me e no qual temo mortalmente ver-me refletido. A boa juventude é a juventude velha.

Nelson Mandela conheci num livro do colégio, e depois em plantão da Rede Globo e na música do Simple Minds. Música que me mostrou também os “Bloody Sunday”, no swing dos versos lancinantes do U2, que conclamavam uma platéia em polvorosa a cantar “for the Reverend Martin Luther King”, aquele que teve um sonho do qual muitos hoje nem sequer ouviram falar. Mas eu ainda acredito que um dia estaremos sentados juntos “at the table of brotherhood”.

Demorei a entender – se é que o fiz – Hesse, e de Huxley sempre lembro que “se somos diferentes, é fatal que estejamos sós”. Era frio e adolescência quando li Salinger, e ele pareceu me entender, abraçar e acolher como o mundo jamais pensaria em fazer naquele meu momento. Holden Caulfield foi, então, meu primeiro nick na web. E nunca parei de pensar sobre o sonho de ocupação que tinha o jovem do livro: evitar que crianças caíssem de um precipício...

Hoje tento ser uma partícula sólida num copo d´água, saudoso do 68 que não vivi. Saudoso e em silêncio...
Quarta-feira, Maio 07, 2008
Voltei. Pra quê?

“Esta quarta-feira pode se transformar num dia inesquecível”, diziam os astros. E assim foi. Acordei com a sensação de que o dia seria ruim, e ele foi pior.
Quarta-feira, Março 19, 2008
Seguro desemprego

De repente, a bancada do PHA levantou e deixou o prédio, e o site dele deixou o mundo virtual. E ninguém sabe, ninguém viu. Agora, só via Web Archive. Mais por Azenha.