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Quarta-feira, Fevereiro 03, 2010
A questão
Ontem, durante uma conversa, dessas sem muito nexo na pausa para o café e retomada de fôlego, perguntei para uma amiga se ela já teve a sensação de acordar sem voz, muda, e contar até três ou dizer alô para certificar-se do contrário. A resposta ganhou da pergunta: “não, mas já acordei sem saber quem eu era. Eu sabia que era, mas tive que pensar um tempo e refletir, tipo ‘sou, mas quem eu sou? Como sou?’, até voltar”.
Estou assim faz alguns dias, do acordar ao dormir, e ainda não voltei. Talvez também não tenha pensado muito em quem ou como sou. Talvez nunca tenha nem ido e continue como sempre. Seja a vida um palco, seja a pergunta de Shakespeare ou não. Hoje estou num dia para cantar alto "These are the days of our lives". Inferno astral.
O próximo post será o ducentésimo. Que virá?
Quarta-feira, Janeiro 20, 2010
Ponto.
Decretar o fim antes de um fato marcante ou da perda do respeito é para os muito fortes ou determinados. Os demais temem estar errando, a solidão, a carência, as possibilidades, o que quer que o cérebro invente nesses tempos líquidos para driblar a decisão.
Seja por qualquer via ou causa, terminar é um ritual. Um cerimonial de encaixotar coisas, desengavetar outras. Dar destinos a cartas inacabadas ou nunca enviadas, encontrar espaço para sentimentos reaproveitáveis, apagar palavras nunca ditas. Tentar rearranjar a casa, para que cada canto perca a história acumulada e volte a ser um espaço a ser desbravados pela próxima pessoa que, cada vez mais difícil, entrar pela porta.
Cada cerimonial gasta um pouco da verba total. O coração fica mais resistente em fazer concessões, os abraços, beijos e entregas parecem sempre custar muito mais caro a cada novo planejamento.
Tirar a roupa, tomar um banho, olhar atentamente a água que escorre. Pensar na trilha perfeita, escrever, curtir a fossa.
É difícil ser atropelado enquanto se atravessa a rua pensando.
Dos clichês, sozinho ninguém morre.
Tudo entra no arquivo da memória, que podemos moldar como bem queiramos.
Terça-feira, Dezembro 08, 2009
Eu sou uma castanha
Enquanto isso, no messenger:
Andrea diz: achei uma castanha grávida de gêmeos tavam tipo abraçadinhos
Lucasof - Eu sou uma castanha diz: Uahuahauhauahuah Tira foto e twitta!
Andrea diz: tá doido, ja mandei pra dentro sou sem sentimentos
*Este é o primeiro post no blog que menciona o Twitter.
Segunda-feira, Novembro 30, 2009
Encarar
Voltei pra terapia. Já estava mais, bem mais do que na hora. Agora preciso voltar a blogar.
Me perdoa?
É tudo medo e insegurança. =/
Segunda-feira, Agosto 10, 2009
Das frases de efeito dos seriados
"Things never turn out exactly the way you planned. I know they didn't with me. Still, like my father used to say, 'traffic's traffic, you go where life takes you' and growing up happens in a heartbeat. One day you're in diapers, the next you're gone, but the memories of childhood stay with you for the long haul’. I remember a time, a place, a particular fourth of July, the things that happened in that decade of war and change. I remember a house like a lot of houses, a yard like a lot of yards, on a street like a lot of other streets. I remember how hard it was growing up among people and places I loved. Most of all, I remember how hard it was to leave. And the thing is, after all these years, I still look back in wonder" (The Wonder Years)
"A heart is a fragile thing, that's why we protect them so vigorously, give them away so rarely, and why it means so much when we do. Some hearts are more fragile then others, purer somehow. Like crystal in a world of glass. Even the way they shatter is beautiful" (Everwood)
Quinta-feira, Abril 02, 2009
"To everything (turn, turn, turn), there is a season..."
Desligo o telefone depois de falar com uma grande amiga. Uma hora e tanto trocando vozes, parece adolescência. Mas hoje já me preocupo com o valor da conta, a hora de acordar e o trabalho.
Dividimos as mesmas angústias. Rompimentos. Coisas que não entendemos. Estendemos o ombro com o som de nossos sorrisos, ora angustiados, ora graciosos, ora constrangidos. Sinceros, nessa época de quaisquer coisas. Sinceridade que perturba, como espelho, e conforta ao ser dividida.
Perguntamos como nunca ninguém nos contou que depois de alcançar um desafio, de realizar um sonho, entrar pela porta da arvorezinha, ia bater aquela sensação de "e agora, para onde"?
É crescer, perder cabelos, lutar contra a barriga enquanto enrugamos a testa, mudar a ótica, querer correr para casa da mãe e ter de resolver os problemas de nossas próprias casas. Alugadas.
Até a crise econômica, assunto de nossos pais naqueles tempos de plano verão e dinheiro congelado, agora aparece. "Vamos sair, sim, só espera o salário cair..."
Tanta conversa de mudanças. É tanto medo, tanto erro, tantos rumos para pernas esquálidas que titubeiam. É tudo líquido.
Como terminamos? "A vida se resolve com os lemas do Arcadismo. Coisas que o coração quer dizer e só o latim consegue". Sorrisão de besteira e boa noite, segue o abraço com beijo morno e fraternal por esse cordão helicoidal. -- "Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas que já têm a forma de nossos corpos e esquecer os nossos caminhos que nos levam sempre aos mesmos lugares.
É o tempo da travessia. E se não ousarmos fazê-la teremos ficado para sempre à margem de nós mesmos."
FP
Sábado, Fevereiro 14, 2009
Dos rascunhos em papel
Descalço, sentado na rede, com meu Beagle de estranhos hábitos roncando de patas cruzadas no banco logo atrás de mim, abaixo o livro de Danuza Leão - a quem tenho como amiga, embora ela nem saiba de minha existência - e dou graças pelas robustas árvores da casa de minha mãe, que camuflam o progresso e as máquinas ao redor. Só o que vejo além delas é uma grande pastagem verde, um galpão antigo de telhas terracota. Antes de pensar no "até quando", levanto o livro e disperso as idéias.
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