Nem o mais inspirado de seus poemas
Não, hoje eu não queria nada além
Do que repousar minha já pesada cabeça
E derramar minhas lágrimas
Em seus sofridos ombros.
E então, quem sabe,
(mesmo que eu não sonhasse)
Um só beijo terminasse
Esta distância insensata
Que me pôs aqui a encontrar
Palavras para um mudo sentimento.
1 de abr. de 2011
Era
Ela acordou destroçada. A palma, os dedos, as unhas. O que o cérebro monta ela não pode, hoje, ajudar a colocar em outras formas, a emitir. Nem a caneta, nem o teclado, nem o toque. Encontrada em seu óbvio esconderijo, infantil, tentando fugir do enorme novelo de desgaste, dor, rusgas, brigas, angústias e outros sufocos, tentou dar vazão a tudo isso que, fazendo jus, manipulou durante longo tempo. Esmurrou um degrau, o mesmo, com toda a força possível. Não conseguiu. Explodiu a madrugada, explodiu o elo, a vida. Tombada, contraída, repousa em costas num longo abraço.
22 de fev. de 2011
30 de dez. de 2010
Ano
Termina com uma lágrima furtiva, um sorriso de canto, cabeça recostada. Das redes sociais, denso, mas impalpável. Um ano estrangulado que fugiu pelas beiras.
Dualista, ano de crescimento no trabalho, de escalar a árvore, de novos amigos, de amar os antigos, novas empreitadas. De conhecer a Rússia.
Este ríspido ano termina assim, sentado em minha mesa, na empresa com a qual sempre sonhei, vendo clipes de músicas ou trechos de shows. Com poucas palavras, muitas vontades, novos sonhos. Toda aquela insegurança.
Dualista, ano de crescimento no trabalho, de escalar a árvore, de novos amigos, de amar os antigos, novas empreitadas. De conhecer a Rússia.
Este ríspido ano termina assim, sentado em minha mesa, na empresa com a qual sempre sonhei, vendo clipes de músicas ou trechos de shows. Com poucas palavras, muitas vontades, novos sonhos. Toda aquela insegurança.
24 de nov. de 2010
Relendo, reescrevendo. Trapaceando.
A Adilia perguntou no Toques de Alma onde as pessoas estavam em maio de 1968, em um post com informações pessoais, juventude e muitas referências (Mandela, protestos, Quartier Latin, Martin Luther King Jr., ...). Eu ainda não estava – e nem era – em 68, mas fiquei pensando.
Em 1968 eu ainda nem era um sonho acalentado na cabeça de minha mãe, tampouco uma dúvida errante na de meu pai. Em 68 estava vagando em algum mundo por aí.
Rebentado, de 68 lembro que a juventude sempre vai ser o espelho universal no qual todos precisam ver-se refletidos, sim. É nela que mora o fôlego pra gritaria, mas nem sempre a cabeça para saber os motivos do alarde. E, como disse o Lobo da Estepe, eu estou cônscio da existência desse espelho, no qual tenho uma necessidade tão amarga de olhar-me e no qual temo mortalmente ver-me refletido. A boa juventude é a juventude velha.
Nelson Mandela conheci num livro do colégio, e depois em plantão da Rede Globo e na música do Simple Minds. Música que me mostrou também os “Bloody Sunday”, no swing dos versos lancinantes do U2, que conclamavam uma platéia em polvorosa a cantar “for the Reverend Martin Luther King”, aquele que teve um sonho do qual muitos hoje nem sequer ouviram falar. Mas eu ainda acredito que um dia estaremos sentados juntos “at the table of brotherhood”.
Demorei a entender – se é que o fiz – Hesse, e de Huxley sempre lembro que “se somos diferentes, é fatal que estejamos sós”. Era frio e adolescência quando li Salinger, e ele pareceu me entender, abraçar e acolher como o mundo jamais pensaria em fazer naquele meu momento. Holden Caulfield foi, então, meu primeiro nick na web. E nunca parei de pensar sobre o sonho de ocupação que tinha o jovem do livro: evitar que crianças caíssem de um precipício...
Hoje tento ser uma partícula sólida num copo d´água, saudoso do 68 que não vivi. Saudoso e em silêncio. Reticente.
--
Com muita saudade de Adília.
Em 1968 eu ainda nem era um sonho acalentado na cabeça de minha mãe, tampouco uma dúvida errante na de meu pai. Em 68 estava vagando em algum mundo por aí.
Rebentado, de 68 lembro que a juventude sempre vai ser o espelho universal no qual todos precisam ver-se refletidos, sim. É nela que mora o fôlego pra gritaria, mas nem sempre a cabeça para saber os motivos do alarde. E, como disse o Lobo da Estepe, eu estou cônscio da existência desse espelho, no qual tenho uma necessidade tão amarga de olhar-me e no qual temo mortalmente ver-me refletido. A boa juventude é a juventude velha.
Nelson Mandela conheci num livro do colégio, e depois em plantão da Rede Globo e na música do Simple Minds. Música que me mostrou também os “Bloody Sunday”, no swing dos versos lancinantes do U2, que conclamavam uma platéia em polvorosa a cantar “for the Reverend Martin Luther King”, aquele que teve um sonho do qual muitos hoje nem sequer ouviram falar. Mas eu ainda acredito que um dia estaremos sentados juntos “at the table of brotherhood”.
Demorei a entender – se é que o fiz – Hesse, e de Huxley sempre lembro que “se somos diferentes, é fatal que estejamos sós”. Era frio e adolescência quando li Salinger, e ele pareceu me entender, abraçar e acolher como o mundo jamais pensaria em fazer naquele meu momento. Holden Caulfield foi, então, meu primeiro nick na web. E nunca parei de pensar sobre o sonho de ocupação que tinha o jovem do livro: evitar que crianças caíssem de um precipício...
Hoje tento ser uma partícula sólida num copo d´água, saudoso do 68 que não vivi. Saudoso e em silêncio. Reticente.
--
Com muita saudade de Adília.
Um pouco do pai, para o pai
Todas as pessoas são muitas. Muitas dentro de si mesmas. Todos nós somos trabalhadores, estudantes ou aposentados; ao mesmo tempo em que somos filhos, pais ou irmãos; amigos, esposos ou namorados; e assim por diante.
Com nosso pai, o Rui, não é diferente. Como ele mesmo fez questão de dizer, absolutamente todos que hoje estão aqui fizeram ou fazem parte da vida dele, tornando-o, portanto, o Rui pai, o Rui amigo, o Rui irmão, o Rui colega, o Rui ex-esposo, o Rui namorado, o Rui cunhado, o Rui etc. e tal, e, por que não, o Rui filho (pois temos certeza que a Vó Maria e o Vô Gabriel estão conosco de alguma forma no dia de hoje). Vocês tornaram o Rui em uma multidão e isso enriquece a vida de qualquer um. Logo, obrigado a todos por terem feito do nosso pai quem ele é hoje: um ser capaz de muito, uma vez que muito o compõe.
Mas não podemos falar do amigo, do esposo, do colega. Não o conhecemos assim. Podemos apenas falar do pai, do grande pai que o Rui é para nós dois. E esse Rui pai também é múltiplo e significa uma tonelada de coisas sobre as quais gostaríamos de compartilhar com vocês hoje.
O Rui como filho e irmão nasceu há exatos 60 anos e deixou uma impressão unânime: irmão dedicado e filho querido. Na escola, foi aluno dedicado, época em que ganhou um companheiro inseparável: seu par de óculos; um aliado e escudo a esconder seus frágeis e vivos olhos azuis do resto mundo. Quantas vezes ouvimos a história de quando ele foi para São Paulo, pequenino, e ficou sozinho no São Bento, tempo de medalhas, estudos, amizades, mas de angústias, saudades e algumas dificuldades. Isso sempre nos fez pensar e comentar: o quão duro deve ser esse sentimento de abandono ao qual nosso pequenino e futuro pai deve ter sido submetido? Ao mesmo tempo, quantas histórias fantásticas nos contou sobre o São Bento e os tempos em SP? Só podemos imaginar!
Ele voltou para Sorocaba e, jovem, foi estreitando amizades. As histórias com o Paulo Henrique, com o Eduardo e com tantos outros sempre nos fizeram rir, como as histórias de amizades juvenis devem ser!
A primeira faculdade veio por paixão: Letras. O literato que há dentro do Rui sempre foi famoso, embora ele o reprima por vezes ou por anos. Podia explodir como escritor. Foi trabalhar no Diário de Sorocaba e tentou dar aulas. Não deu certo! Era tímido para isso.
Necessidade mãe da razão e o Rui fez uma segunda faculdade: Administração. Lá conheceu a Tereza, nossa mãe. Acabou casando, fim de muitos namoros que começam em universidades. Trabalhou com ela no Camiseiro e acabou entrando na fiscalização, onde fez de tudo um pouco, de plebeu até tornar-se o Seo Rói da repartição!
Mas, do nosso ponto de vista, o principal veio lá em 1979: o Rui deixava de ser filho apenas. Nascia o Duda. Em 1983, ampliou a experiência com o nascimento do Lucas. E alguns anos mais para frente, abraçou a existência da Joyce ao seu rol patriarcal. Rui teve filhos e nós ganhamos sentido como família.
Do pai, temos muito a contar. Daria anos o relato. Para não dificultar para ninguém, façamos um resumo. Rui pai foi um cara fantástico. Muito, mas muito carinhoso mesmo, fazia lanchinho para levarmos à escola e deixava-o ao lado de um bilhetinho falando do amor que tinha por nós. Isso era todo dia e não uma vez ou outra. Ajudava com as tarefas, no preparo das refeições, na correção dos rumos. Nunca foi ríspido ou duro sem necessidade.
Viajamos nós quatro, ou com avós e tios, rimos juntos e vivemos uma festa. Que grande infância pudemos ter graças a isso. Mesmo quando as noites na chácara tornavam-se um breu de escuras, com as constantes quedas de energia que havia, ele nos levava para o quarto dele com a mãe, acendia um abajur, e lia capítulos de livros que jamais esquecemos: Tarzan, a Ilha do Tesouro e Origens (com um fóssil na capa!) foram acompanhados como novela, um capítulo atrás do outro, noite após a outra... Não à toa a leitura estar entranhada nos seus filhos!
O Rui, ao nos mostrar as fotos de sua infância, tornava-se o Super-homem. Era o Clark Kent, frágil olhos azuis com pesados óculos de jornalista, que ocultavam um super-pai. Tornou-se o escritor que relutou em ser ao nos deixar mensagens lindas todas as manhãs ou a narrar com vivacidade histórias de piratas. Tornou-se um modelo, uma referência de caráter, alguém a ser seguido. E o seguimos, orgulhosos. Pai, diz o mais primário da psicologia, é identidade e autoridade. Autoridade moral sempre teve, pelo exemplo, e não pelo autoritarismo. Pelo diálogo, paciência e carinho forneceu bases para quem somos no dia de hoje.
Mas, vida é vida, e o perdemos por um tempo. O Rui que se sentia sozinho no São Bento, atormentado por fantasmas de ausência, foi buscar a si próprio longe de nós. Ficamos ao longo de uma década, nós mesmos, com espíritos de ruína ao nosso redor, saudades raivosas de quem perde o chão e frustrações de quem perde o modelo a seguir.
Alguns mais ingênuos podem pensar: tem cabimento falar em coisas tristes em um momento tão feliz, de comemoração?! Permitam um aparte etimológico: Comemorar é palavra latina, cujo radical remete a memorar em conjunto, COM MEMORAR. Nem tudo de que lembramos é belo, mas, por isso mesmo, lembrar é importante. Ainda mais em conjunto. Ainda assim, o mesmo alguém poderia sugerir: mas pulem esse assunto espinhoso e difícil, esqueçam! Mas se o fizéssemos seria injusto com o melhor que poderíamos escrever sobre o Rui pai!
Qual seja: ele voltou! Voltou de sua busca por si próprio; e voltou a nos encontrar como pai. Ah, e como isso foi bacana! Momento de reinvenção: duas crianças eram então jovens adultos, perdidos em seus próprios sonhos, encontrando um adulto feito e desfeito, perdido em outros sonhos. Como foi legal, depois de alguns novos risos, lágrimas, muitas visitas, comidas e viagens, leituras e fotos, voltarmos a sonhar alguns sonhos juntos!
O Rui pai voltou com sua timidez, seu sorriso por detrás de um par de óculos. Seus olhos azuis traziam a companhia de cabelos grisalhos. Mas era o Rui pai, disposto a voltar a sê-lo. Nenhuma história de separação é completa se não flertar com a história da volta, da reconciliação, do perdão. Mútuo e definitivo. Perdoar não significa esquecer, mas lembrar para que não mais ocorra e, com isso, renovar as chances de erro mutuamente. Dar a chance para incontáveis acertos e poucos e novos erros. Perdoamo-nos, construímo-nos de novo. E isso foi muito legal.
Foi regado a vinho, restaurantes, livrarias, cozinhar juntos ou um para o outro, trocar novas confidências, dar e ouvir conselhos... até que ouvimos dele mesmo: a melhor fase da vida de um pai é essa a que eu vivo, quando posso ser companheiro de meus filhos. É isso: o Rui pai tornou-se um companheirão!
Ajudou-nos com as faculdades, com a compra do primeiro carro, do primeiro apartamento, com o casamento de um de nós, com os namoros dos demais. Planejou viagens e as fez conosco. E toca mais idas à cozinha e mais receitas de pai para filho ou de filhos para pai.
Hoje o Rui pai está quase aposentado! E faz 60 anos! Que legal, pai. Que legal mesmo! Que lindo que possamos estar juntos e planejar, logo a partir de amanhã, a festança dos 70, 80, 90 e quanto o muito mais que o bom Deus nos permita ficar sempre juntos.
Neste dia de festa, em que comemoramos um pouco do Rui Pai, desejamo-lhes muitas coisas. Sonhamos que o literato escondido e contido possa, finalmente, escrever seu primeiro romance; queremos que todos os amigos que aqui estão o lembrem de como você é especial, sendo único e múltiplo ao mesmo tempo; que a família o abrace como irmão; que esta noite seja mais um momento inesquecível em sua vida. Você merece!
Mas, acima de tudo, sonhamos e desejamos ver se iluminar o quarto do menino que você tem dentro de si e que ele possa mirar seus próprios olhos azuis no espelho de seu coração e sorrir, sem medo de mais nada: você é um grande pai, o melhor que poderíamos ter.
Um beijo e parabéns de seus filhos.
Duda e Lucas
Com nosso pai, o Rui, não é diferente. Como ele mesmo fez questão de dizer, absolutamente todos que hoje estão aqui fizeram ou fazem parte da vida dele, tornando-o, portanto, o Rui pai, o Rui amigo, o Rui irmão, o Rui colega, o Rui ex-esposo, o Rui namorado, o Rui cunhado, o Rui etc. e tal, e, por que não, o Rui filho (pois temos certeza que a Vó Maria e o Vô Gabriel estão conosco de alguma forma no dia de hoje). Vocês tornaram o Rui em uma multidão e isso enriquece a vida de qualquer um. Logo, obrigado a todos por terem feito do nosso pai quem ele é hoje: um ser capaz de muito, uma vez que muito o compõe.
Mas não podemos falar do amigo, do esposo, do colega. Não o conhecemos assim. Podemos apenas falar do pai, do grande pai que o Rui é para nós dois. E esse Rui pai também é múltiplo e significa uma tonelada de coisas sobre as quais gostaríamos de compartilhar com vocês hoje.
O Rui como filho e irmão nasceu há exatos 60 anos e deixou uma impressão unânime: irmão dedicado e filho querido. Na escola, foi aluno dedicado, época em que ganhou um companheiro inseparável: seu par de óculos; um aliado e escudo a esconder seus frágeis e vivos olhos azuis do resto mundo. Quantas vezes ouvimos a história de quando ele foi para São Paulo, pequenino, e ficou sozinho no São Bento, tempo de medalhas, estudos, amizades, mas de angústias, saudades e algumas dificuldades. Isso sempre nos fez pensar e comentar: o quão duro deve ser esse sentimento de abandono ao qual nosso pequenino e futuro pai deve ter sido submetido? Ao mesmo tempo, quantas histórias fantásticas nos contou sobre o São Bento e os tempos em SP? Só podemos imaginar!
Ele voltou para Sorocaba e, jovem, foi estreitando amizades. As histórias com o Paulo Henrique, com o Eduardo e com tantos outros sempre nos fizeram rir, como as histórias de amizades juvenis devem ser!
A primeira faculdade veio por paixão: Letras. O literato que há dentro do Rui sempre foi famoso, embora ele o reprima por vezes ou por anos. Podia explodir como escritor. Foi trabalhar no Diário de Sorocaba e tentou dar aulas. Não deu certo! Era tímido para isso.
Necessidade mãe da razão e o Rui fez uma segunda faculdade: Administração. Lá conheceu a Tereza, nossa mãe. Acabou casando, fim de muitos namoros que começam em universidades. Trabalhou com ela no Camiseiro e acabou entrando na fiscalização, onde fez de tudo um pouco, de plebeu até tornar-se o Seo Rói da repartição!
Mas, do nosso ponto de vista, o principal veio lá em 1979: o Rui deixava de ser filho apenas. Nascia o Duda. Em 1983, ampliou a experiência com o nascimento do Lucas. E alguns anos mais para frente, abraçou a existência da Joyce ao seu rol patriarcal. Rui teve filhos e nós ganhamos sentido como família.
Do pai, temos muito a contar. Daria anos o relato. Para não dificultar para ninguém, façamos um resumo. Rui pai foi um cara fantástico. Muito, mas muito carinhoso mesmo, fazia lanchinho para levarmos à escola e deixava-o ao lado de um bilhetinho falando do amor que tinha por nós. Isso era todo dia e não uma vez ou outra. Ajudava com as tarefas, no preparo das refeições, na correção dos rumos. Nunca foi ríspido ou duro sem necessidade.
Viajamos nós quatro, ou com avós e tios, rimos juntos e vivemos uma festa. Que grande infância pudemos ter graças a isso. Mesmo quando as noites na chácara tornavam-se um breu de escuras, com as constantes quedas de energia que havia, ele nos levava para o quarto dele com a mãe, acendia um abajur, e lia capítulos de livros que jamais esquecemos: Tarzan, a Ilha do Tesouro e Origens (com um fóssil na capa!) foram acompanhados como novela, um capítulo atrás do outro, noite após a outra... Não à toa a leitura estar entranhada nos seus filhos!
O Rui, ao nos mostrar as fotos de sua infância, tornava-se o Super-homem. Era o Clark Kent, frágil olhos azuis com pesados óculos de jornalista, que ocultavam um super-pai. Tornou-se o escritor que relutou em ser ao nos deixar mensagens lindas todas as manhãs ou a narrar com vivacidade histórias de piratas. Tornou-se um modelo, uma referência de caráter, alguém a ser seguido. E o seguimos, orgulhosos. Pai, diz o mais primário da psicologia, é identidade e autoridade. Autoridade moral sempre teve, pelo exemplo, e não pelo autoritarismo. Pelo diálogo, paciência e carinho forneceu bases para quem somos no dia de hoje.
Mas, vida é vida, e o perdemos por um tempo. O Rui que se sentia sozinho no São Bento, atormentado por fantasmas de ausência, foi buscar a si próprio longe de nós. Ficamos ao longo de uma década, nós mesmos, com espíritos de ruína ao nosso redor, saudades raivosas de quem perde o chão e frustrações de quem perde o modelo a seguir.
Alguns mais ingênuos podem pensar: tem cabimento falar em coisas tristes em um momento tão feliz, de comemoração?! Permitam um aparte etimológico: Comemorar é palavra latina, cujo radical remete a memorar em conjunto, COM MEMORAR. Nem tudo de que lembramos é belo, mas, por isso mesmo, lembrar é importante. Ainda mais em conjunto. Ainda assim, o mesmo alguém poderia sugerir: mas pulem esse assunto espinhoso e difícil, esqueçam! Mas se o fizéssemos seria injusto com o melhor que poderíamos escrever sobre o Rui pai!
Qual seja: ele voltou! Voltou de sua busca por si próprio; e voltou a nos encontrar como pai. Ah, e como isso foi bacana! Momento de reinvenção: duas crianças eram então jovens adultos, perdidos em seus próprios sonhos, encontrando um adulto feito e desfeito, perdido em outros sonhos. Como foi legal, depois de alguns novos risos, lágrimas, muitas visitas, comidas e viagens, leituras e fotos, voltarmos a sonhar alguns sonhos juntos!
O Rui pai voltou com sua timidez, seu sorriso por detrás de um par de óculos. Seus olhos azuis traziam a companhia de cabelos grisalhos. Mas era o Rui pai, disposto a voltar a sê-lo. Nenhuma história de separação é completa se não flertar com a história da volta, da reconciliação, do perdão. Mútuo e definitivo. Perdoar não significa esquecer, mas lembrar para que não mais ocorra e, com isso, renovar as chances de erro mutuamente. Dar a chance para incontáveis acertos e poucos e novos erros. Perdoamo-nos, construímo-nos de novo. E isso foi muito legal.
Foi regado a vinho, restaurantes, livrarias, cozinhar juntos ou um para o outro, trocar novas confidências, dar e ouvir conselhos... até que ouvimos dele mesmo: a melhor fase da vida de um pai é essa a que eu vivo, quando posso ser companheiro de meus filhos. É isso: o Rui pai tornou-se um companheirão!
Ajudou-nos com as faculdades, com a compra do primeiro carro, do primeiro apartamento, com o casamento de um de nós, com os namoros dos demais. Planejou viagens e as fez conosco. E toca mais idas à cozinha e mais receitas de pai para filho ou de filhos para pai.
Hoje o Rui pai está quase aposentado! E faz 60 anos! Que legal, pai. Que legal mesmo! Que lindo que possamos estar juntos e planejar, logo a partir de amanhã, a festança dos 70, 80, 90 e quanto o muito mais que o bom Deus nos permita ficar sempre juntos.
Neste dia de festa, em que comemoramos um pouco do Rui Pai, desejamo-lhes muitas coisas. Sonhamos que o literato escondido e contido possa, finalmente, escrever seu primeiro romance; queremos que todos os amigos que aqui estão o lembrem de como você é especial, sendo único e múltiplo ao mesmo tempo; que a família o abrace como irmão; que esta noite seja mais um momento inesquecível em sua vida. Você merece!
Mas, acima de tudo, sonhamos e desejamos ver se iluminar o quarto do menino que você tem dentro de si e que ele possa mirar seus próprios olhos azuis no espelho de seu coração e sorrir, sem medo de mais nada: você é um grande pai, o melhor que poderíamos ter.
Um beijo e parabéns de seus filhos.
Duda e Lucas
1 de out. de 2010
“Yeah, I'm gonna have to move on…
Hora de posicionamento, de passo. Dia cinza, de angústia. Noite de dormir no sofá, evitar ter que dividir algumas lembranças com os lençóis.
...before we meet again”.
...before we meet again”.
Dos rascunhos da vida
Eu penso quase em tempo integral sobre qual teria sido o momento em que toda a beleza da ingenuidade, o impulso do mundo a descobrir e a complementaridade de duas vidas tão opostas, que compunham uma paixão, acabaram tornando-se uma concorrência, uma busca por um Santo Graal que, sabemos, jamais será encontrado e não coroará nenhum de nós.
Qual foi o momento em que a explosão alegre de uma carolina descongelada indo ao chão virou uma briga pela sujeira e desperdício. Em que a dança, ainda que etílica e buscando extravasar outras coisas, passou de lazer a motivo para briga. A hora em que olhares se descruzaram, perderam a cumplicidade e passaram a procurar pela pista, tão à meia-luz e pulsante como nosso confuso relacionamento. Ali também não encontraríamos respostas, só mais distância.
Qual foi o momento em que a explosão alegre de uma carolina descongelada indo ao chão virou uma briga pela sujeira e desperdício. Em que a dança, ainda que etílica e buscando extravasar outras coisas, passou de lazer a motivo para briga. A hora em que olhares se descruzaram, perderam a cumplicidade e passaram a procurar pela pista, tão à meia-luz e pulsante como nosso confuso relacionamento. Ali também não encontraríamos respostas, só mais distância.
19 de fev. de 2010
Próxima à direita
Minha vida está igual a primeira vez que dirigi em São Paulo sozinho. Perdi “aquela” entrada da Marginal e parecia que nunca mais acharia o caminho. Nem precisava ser a volta, apenas um caminho.
No fim, passada a angústia, muitas ruas e muitas placas, achei. Só respirar.
No fim, passada a angústia, muitas ruas e muitas placas, achei. Só respirar.
3 de fev. de 2010
A questão
Ontem, durante uma conversa, dessas sem muito nexo na pausa para o café e retomada de fôlego, perguntei para uma amiga se ela já teve a sensação de acordar sem voz, muda, e contar até três ou dizer alô para certificar-se do contrário. A resposta ganhou da pergunta: “não, mas já acordei sem saber quem eu era. Eu sabia que era, mas tive que pensar um tempo e refletir, tipo ‘sou, mas quem eu sou? Como sou?’, até voltar”.
Estou assim faz alguns dias, do acordar ao dormir, e ainda não voltei. Talvez também não tenha pensado muito em quem ou como sou. Talvez nunca tenha nem ido e continue como sempre. Seja a vida um palco, seja a pergunta de Shakespeare ou não. Hoje estou num dia para cantar alto "These are the days of our lives". Inferno astral.
O próximo post será o ducentésimo. Que virá?
Estou assim faz alguns dias, do acordar ao dormir, e ainda não voltei. Talvez também não tenha pensado muito em quem ou como sou. Talvez nunca tenha nem ido e continue como sempre. Seja a vida um palco, seja a pergunta de Shakespeare ou não. Hoje estou num dia para cantar alto "These are the days of our lives". Inferno astral.
O próximo post será o ducentésimo. Que virá?
20 de jan. de 2010
Ponto.
Decretar o fim antes de um fato marcante ou da perda do respeito é
para os muito fortes ou determinados. Os demais temem estar errando, a
solidão, a carência, as possibilidades, o que quer que o cérebro
invente nesses tempos líquidos para driblar a decisão.
Seja por qualquer via ou causa, terminar é um ritual. Um cerimonial de
encaixotar coisas, desengavetar outras. Dar destinos a cartas
inacabadas ou nunca enviadas, encontrar espaço para sentimentos
reaproveitáveis, apagar palavras nunca ditas. Tentar rearranjar a
casa, para que cada canto perca a história acumulada e volte a ser um
espaço a ser desbravados pela próxima pessoa que, cada vez mais
difícil, entrar pela porta.
Cada cerimonial gasta um pouco da verba total. O coração fica mais
resistente em fazer concessões, os abraços, beijos e entregas parecem
sempre custar muito mais caro a cada novo planejamento.
Tirar a roupa, tomar um banho, olhar atentamente a água que escorre. Pensar na trilha perfeita, escrever, curtir a fossa.
É difícil ser atropelado enquanto se atravessa a rua pensando.
Dos clichês, sozinho ninguém morre.
Tudo entra no arquivo da memória, que podemos moldar como bem queiramos.
para os muito fortes ou determinados. Os demais temem estar errando, a
solidão, a carência, as possibilidades, o que quer que o cérebro
invente nesses tempos líquidos para driblar a decisão.
Seja por qualquer via ou causa, terminar é um ritual. Um cerimonial de
encaixotar coisas, desengavetar outras. Dar destinos a cartas
inacabadas ou nunca enviadas, encontrar espaço para sentimentos
reaproveitáveis, apagar palavras nunca ditas. Tentar rearranjar a
casa, para que cada canto perca a história acumulada e volte a ser um
espaço a ser desbravados pela próxima pessoa que, cada vez mais
difícil, entrar pela porta.
Cada cerimonial gasta um pouco da verba total. O coração fica mais
resistente em fazer concessões, os abraços, beijos e entregas parecem
sempre custar muito mais caro a cada novo planejamento.
Tirar a roupa, tomar um banho, olhar atentamente a água que escorre. Pensar na trilha perfeita, escrever, curtir a fossa.
É difícil ser atropelado enquanto se atravessa a rua pensando.
Dos clichês, sozinho ninguém morre.
Tudo entra no arquivo da memória, que podemos moldar como bem queiramos.
8 de dez. de 2009
Eu sou uma castanha
Enquanto isso, no messenger:
Andrea diz:
achei uma castanha grávida de gêmeos
tavam tipo abraçadinhos
Lucasof - Eu sou uma castanha diz:
Uahuahauhauahuah
Tira foto e twitta!
Andrea diz:
tá doido, ja mandei pra dentro
sou sem sentimentos
*Este é o primeiro post no blog que menciona o Twitter.
Andrea diz:
achei uma castanha grávida de gêmeos
tavam tipo abraçadinhos
Lucasof - Eu sou uma castanha diz:
Uahuahauhauahuah
Tira foto e twitta!
Andrea diz:
tá doido, ja mandei pra dentro
sou sem sentimentos
*Este é o primeiro post no blog que menciona o Twitter.
10 de ago. de 2009
Das frases de efeito dos seriados
"Things never turn out exactly the way you planned. I know they didn't with me. Still, like my father used to say, 'traffic's traffic, you go where life takes you' and growing up happens in a heartbeat. One day you're in diapers, the next you're gone, but the memories of childhood stay with you for the long haul’. I remember a time, a place, a particular fourth of July, the things that happened in that decade of war and change. I remember a house like a lot of houses, a yard like a lot of yards, on a street like a lot of other streets. I remember how hard it was growing up among people and places I loved. Most of all, I remember how hard it was to leave. And the thing is, after all these years, I still look back in wonder" (The Wonder Years)
"A heart is a fragile thing, that's why we protect them so vigorously, give them away so rarely, and why it means so much when we do. Some hearts are more fragile then others, purer somehow. Like crystal in a world of glass. Even the way they shatter is beautiful" (Everwood)
"A heart is a fragile thing, that's why we protect them so vigorously, give them away so rarely, and why it means so much when we do. Some hearts are more fragile then others, purer somehow. Like crystal in a world of glass. Even the way they shatter is beautiful" (Everwood)
2 de abr. de 2009
"To everything (turn, turn, turn), there is a season..."
Desligo o telefone depois de falar com uma grande amiga. Uma hora e tanto trocando vozes, parece adolescência. Mas hoje já me preocupo com o valor da conta, a hora de acordar e o trabalho.
Dividimos as mesmas angústias. Rompimentos. Coisas que não entendemos. Estendemos o ombro com o som de nossos sorrisos, ora angustiados, ora graciosos, ora constrangidos. Sinceros, nessa época de quaisquer coisas. Sinceridade que perturba, como espelho, e conforta ao ser dividida.
Perguntamos como nunca ninguém nos contou que depois de alcançar um desafio, de realizar um sonho, entrar pela porta da arvorezinha, ia bater aquela sensação de "e agora, para onde"?
É crescer, perder cabelos, lutar contra a barriga enquanto enrugamos a testa, mudar a ótica, querer correr para casa da mãe e ter de resolver os problemas de nossas próprias casas. Alugadas.
Até a crise econômica, assunto de nossos pais naqueles tempos de plano verão e dinheiro congelado, agora aparece. "Vamos sair, sim, só espera o salário cair..."
Tanta conversa de mudanças.
É tanto medo, tanto erro, tantos rumos para pernas esquálidas que titubeiam.
É tudo líquido.
Como terminamos? "A vida se resolve com os lemas do Arcadismo. Coisas que o coração quer dizer e só o latim consegue". Sorrisão de besteira e boa noite, segue o abraço com beijo morno e fraternal por esse cordão helicoidal.
--
"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas que já têm a forma de nossos corpos e esquecer os nossos caminhos que nos levam sempre aos mesmos lugares.
É o tempo da travessia. E se não ousarmos fazê-la teremos ficado para sempre à margem de nós mesmos."
FP
Dividimos as mesmas angústias. Rompimentos. Coisas que não entendemos. Estendemos o ombro com o som de nossos sorrisos, ora angustiados, ora graciosos, ora constrangidos. Sinceros, nessa época de quaisquer coisas. Sinceridade que perturba, como espelho, e conforta ao ser dividida.
Perguntamos como nunca ninguém nos contou que depois de alcançar um desafio, de realizar um sonho, entrar pela porta da arvorezinha, ia bater aquela sensação de "e agora, para onde"?
É crescer, perder cabelos, lutar contra a barriga enquanto enrugamos a testa, mudar a ótica, querer correr para casa da mãe e ter de resolver os problemas de nossas próprias casas. Alugadas.
Até a crise econômica, assunto de nossos pais naqueles tempos de plano verão e dinheiro congelado, agora aparece. "Vamos sair, sim, só espera o salário cair..."
Tanta conversa de mudanças.
É tanto medo, tanto erro, tantos rumos para pernas esquálidas que titubeiam.
É tudo líquido.
Como terminamos? "A vida se resolve com os lemas do Arcadismo. Coisas que o coração quer dizer e só o latim consegue". Sorrisão de besteira e boa noite, segue o abraço com beijo morno e fraternal por esse cordão helicoidal.
--
"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas que já têm a forma de nossos corpos e esquecer os nossos caminhos que nos levam sempre aos mesmos lugares.
É o tempo da travessia. E se não ousarmos fazê-la teremos ficado para sempre à margem de nós mesmos."
FP
14 de fev. de 2009
Dos rascunhos em papel
Descalço, sentado na rede, com meu Beagle de estranhos hábitos roncando de patas cruzadas no banco logo atrás de mim, abaixo o livro de Danuza Leão - a quem tenho como amiga, embora ela nem saiba de minha existência - e dou graças pelas robustas árvores da casa de minha mãe, que camuflam o progresso e as máquinas ao redor. Só o que vejo além delas é uma grande pastagem verde, um galpão antigo de telhas terracota. Antes de pensar no "até quando", levanto o livro e disperso as idéias.
20 de jan. de 2009
17 de julho de 2008
Desde lá, nenhum post e tanta coisa na vida. Fiquei sem escrever e também praticamente sem entrar aqui, nesse espaço que sempre foi tão meu, com medo. Nem eu sei bem de que. Ameacei várias vezes, rascunhei dezenas de coisas, salvei na ferramenta de publicação um começo de retrospectiva (ela virá!), pensei ter esquecido a senha... Espero, nesse ano novo e depois de tanto tempo, aparecer mais aqui no meu canto virtual.
19 de nov. de 2008
Desalento
O meu gesto, de tão desesperado,
Perdeu inocência e desabou
Sem esmero ou ternura, pesado
Tão descuidado que foi, magoou
Apagou dos olhos seus o brilhar
E seu lindo sorriso se desfez
Numa nuvem sombria de pesar...
Lágrimas cobrindo-lhe toda tez.
Reside em mim nossa esperança
Perdeu inocência e desabou
Sem esmero ou ternura, pesado
Tão descuidado que foi, magoou
Apagou dos olhos seus o brilhar
E seu lindo sorriso se desfez
Numa nuvem sombria de pesar...
Lágrimas cobrindo-lhe toda tez.
Reside em mim nossa esperança
E não no verbo, do esquecimento...
Nosso amor no canto de mãos em vértice
São meus sentimentos agora, vórtice
Um turbilhão de angústia e lamento...
Na insensatez de um amor criança.
Nosso amor no canto de mãos em vértice
São meus sentimentos agora, vórtice
Um turbilhão de angústia e lamento...
Na insensatez de um amor criança.
17 de jul. de 2008
Sigo
O tempo parado, a poeira assentando talvez reflita um pouco a minha vida. Essa a função deste aguadetomate, não? Passar um pouco de meu tempo, meus dias, meus afazeres, meu ócio, seja ele criativo, óbvio ou daninho. Tornar pública, a quem quiser, uma parte de mim. E assim o faz, até no silêncio dos posts, na data estática, cada vez mais longe do hoje, do agora, do futuro que tentamos a todo custo adiantar.
Estou em busca, inquieto, aprendendo a disfarçar a careta causada por alguns dissabores, tentando, aprendendo, refletindo e concluindo alguns pontos, que desatam outros. Sim, eu estou com medo. Mas, pasmem, aprendi (um pouquinho) a mudar. Não a essência, mas coisas e posições. Seguir. Talvez para isso sirva essa jornada atual, para alguém que tanto buscar enxergar na vida e nos toques da Providência uma mensagem, que poucas vezes é clara ou inteligível aos que não estão de peito aberto.
Estou em busca, inquieto, aprendendo a disfarçar a careta causada por alguns dissabores, tentando, aprendendo, refletindo e concluindo alguns pontos, que desatam outros. Sim, eu estou com medo. Mas, pasmem, aprendi (um pouquinho) a mudar. Não a essência, mas coisas e posições. Seguir. Talvez para isso sirva essa jornada atual, para alguém que tanto buscar enxergar na vida e nos toques da Providência uma mensagem, que poucas vezes é clara ou inteligível aos que não estão de peito aberto.
7 de mai. de 2008
Voltei. Pra quê?
“Esta quarta-feira pode se transformar num dia inesquecível”, diziam os astros. E assim foi. Acordei com a sensação de que o dia seria ruim, e ele foi pior.
19 de mar. de 2008
Seguro desemprego
De repente, a bancada do PHA levantou e deixou o prédio, e o site dele deixou o mundo virtual. E ninguém sabe, ninguém viu. Agora, só via Web Archive. Mais por Azenha.
Assinar:
Postagens (Atom)