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29 de jan. de 2014

Cantigas de amigo

- As cantigas de amigo sempre foram as mais legais. Gosto de uma na qual a moça lava as garcetas. Tempos de pura ousadia.
- Gosto que você lembra de alguma coisa. Eu jamais conseguiria.
- Eu sei a Cantiga da Ribeirinha de cor, achava que poderia, um dia, flertar em galego-português. Nunca me serviu de nada, além de ocupar espaço em um cérebro com uma organização e prioridades duvidosas.
- As que eu sabia de cor são todas da escola mais óbvia, Romantismo.
- Eu adorava, o Lulu Santos também.
- Mal do Século era meu assunto favorito. Não conversava muito.
- Talvez vocês sejam os últimos românticos. Spleen.
- Bom, pelo menos um de nós ganhou uma puta grana com isso.
- Nãnãnãnã, aperta minha mão. Agora eu sou Dadaísta, o trabalho me fez empacar nessa escola.
- Antes Dadaísmo que Parnasianismo, detesto Parnasianismo. Gostava de Modernismo, também. O 'r-r-r' no meio das estrofes dava uma sonoridade bacana.
- Rapaz! É o triunfo das rimas ricas, arte pela arte!
- Adoro rimas ricas, mas não aguentava aqueles poemas longos, que não diziam nada.
- É, não diziam nada, fato. Prefiro o Simbolismo de rimas paupérrimas. E amanhã podemos falar sobre Haroldo de Campos.
- Adoro a palavra 'paupérrima', devia usar mais no cotidiano.
- Eu gosto demais. Vem a Elis cantando em minha cabeça, tipo o sax da barba: "É pau, é pérrima, é o fim do caminho, tchararara".
- Nossos tópicos são meio que experiências cognitivas.
- Um tratado para gerações futuras, que estarão evaporando a liquidez destes tempos, sem entender nada.
- Já temos mais para a introdução do nosso livro.
- Pirata barba macia, vou me recolher aos meus aposentos.
- Não soa como um nome de pirata de grande credibilidade, mas funciona. Também vou dormir para ver se amanhã faço algo que preste, tipo uma Cantiga de Amigo.
- Acho bem contemporâneo e consistente. E patrocinável. Eu vou lavar minhas garcetas pela manhã e perguntar algo tenso para as flores de meu verde pinho. Boa noite, até amanhã, beijo simbolista.

- O meu beijo de boa noite vai seguir o clichê e ser romântico. Beijo e boa noite.
- Um beijo subjetivo e idealizado ou grotesco e sublime? A resposta você confere na próxima aula.
- Aguardaremos. Eu, o subjetivo, o idealizado, o grotesco e o sublime.

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"We'd like to know a little bit about you for our files, we'd like to help you learn to help yourself"

7 de jan. de 2014

Ground Control to Major Tom

Passando 2013 em revista e relendo alguns comentários aqui do blog achei um da Bean, que, dez mil anos atrás, dizia: “Li uma vez que a maioria das nossas memórias de infância vêm de fotos e vídeos caseiros. Provavelmente a gente se lembre dos pais com uma roupa X, com um cabelo Y, com um sorriso congelado. Porque são ‘retalhos’ de várias fotos armazenadas na cabeça. Será?”.

Estou embalando coisas rumo ao congelador. Essa não precisa ser uma sensação ruim, finalmente passo a entender. É a composição da memória de uma forma que restem apenas os fragmentos que nos rasgam um sorriso ao serem resgatados. Os pés de uma tarde na praia, os cabelos de uma manhã de vento, o sorriso bobo da graça cotidiana que um dia houve, a blusa da festa, a camiseta do trabalho, uma careta, a calça já fora de moda, danças desengonçadas, pequenos lugares secretos de viagens... Toda essa marmita é de imagens estáticas, mas tem uma trilha sonora. Animada, como estes dias.

Eu não escovo os dentes toda noite, por mais cansado ou em qualquer estado físico ou mental que esteja, só por asseio ou costume. É porque, bem como sempre lavo os cabelos e nunca deixo de secar os vãos dos dedos dos pés, quero deixar para trás tudo que tenha acontecido e começar um tempo novo pelas manhãs. As lembranças boas não irão com a água, comporão meu corpo, e as ruins escorrem pelo ralo. Assim me renovo, com pequenos rituais particulares.

Minhas lembranças, hoje, voltam a ter o som de páginas virando. E a caixa do último brinquedo que ganhei diz “a partir de 30 anos”, embora continue sendo um quebra-cabeça.

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“... mas se arriscar ainda é a única forma de não se tornar uma pessoa amarga. É preciso insistir no amor, apesar de tanta desordem por aí. (...) ‘Só me arrependo do que não faço’ é conversa fiada de gente bêbada. Você vai se arrepender de muita coisa que fez. Nem tudo que é quebrado pode ser consertado”

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19 de jul. de 2013

A alma viaja com a velocidade de um camelo

Não sei se você já assistiu ao lançamento de um ônibus espacial. Estão na base, juntos, o ônibus, o tanque externo e dois foguetes propulsores, acoplados como uma coisa única, dependentes. Ao redor, muita expectativa. Protocolos precisam ser seguidos, uma extensa lista de tarefas precisa ser cumprida, várias pessoas de olho. Na parte inferior da imensa armação metálica e dos braços mecânicos que sustentam o conjunto, nota-se o momento da ignição.

10, 9, ignition sequence start, 6, 5, 4, 3, 2, 1, 0, all engines running. Liftoff!

De perto é uma grande explosão, calor e fumaça. De longe, um pontinho ascendente com um arqueado rastro branco. Em poucos segundos, dois foguetes ficam para trás e caem no mar. Em órbita, o tanque vai para um lado, o ônibus espacial segue sua rota. Estiveram juntos e dependentes o tempo necessário para a subida, complementares. Agora seguem destinos diferentes e separados, mas ambos estão no caminho certo, pois podemos olhar isso de qualquer ângulo, sob qualquer ótica, girando o mapa estelar como bem quisermos. E só foi possível chegarem ali porque estiveram lado a lado, cumprindo uma missão.

É um momento bonito, de ansiedade, mudança, energia, explosão, rompimento de barreiras, descobertas.

Sobre nós, naves loucas, aqui, da terra, é característico pensarmos que somos os únicos com determinado sentimento. Ninguém ao nosso redor está nessa sintonia, o que nos torna um pouco marginais. Grande mentira.

Não é com alegria que a recebo, dizendo, com um sorriso, que estarei sempre aqui (não neste blog, mas ao seu lado) para o que quiser ou precisar, sejam conversas, silêncios, colo ou excessos.

Imaginei que ao longo da vida evoluiríamos para tranquilidade ou situações sob controle, mas não é bem assim. Tenho dias de intensa melancolia e sequer consigo explicar o motivo. A parte válida é que parecemos manter uma boa qualidade física. Tudo bem termos encontrado uma metade de laranja e não sabermos se é lima ou pêra. Vamos de uva e kiwi para nos divertirmos. Será uma sombreada natureza-morta de Caravaggio, até a vida retomar a fase de alegria espontânea e noites estreladas de Van Gogh.

A gente vai se doutrinando a depender de pouco, a encontrar conforto em nós mesmos, para depois agregar coisas ao redor, o contrário do ônibus.

Você vai achar que isso é um monte de baboseira vazia e que estou inventando, mas, como já te disse, passa. Demora, é ruim e, em parte, um grande exercício, mas passa.

Para acelerar, a única saída é se forçar a novos hábitos, ocupar todos os momentos com qualquer coisa, até criar uma rotina nova e viver cercada de amigos.

Assiste-se a uma porção de filmes, chora-se com um monte de músicas. É um aprendizado. Entortei três namoros para tatear a necessidade de estarmos bem e seguros sozinhos para depois dividirmos uma vida, ou depositaremos valores errôneos em outra pessoa e cobraremos juros impagáveis.

Não somos sozinhos em um relacionamento. Vale buscar ajustes, mudança, crescimento, mas não vale muito tentar colocar marcos e características.

O tempo vira a gente do avesso. Parece mágica, parece piegas, mas eles estavam certos. O tempo rouba os anéis de Saturno e traz juízo. E com as coisas que não passam, como alguns sentimentos, a gente vai ganhando serenidade pra saber lidar, driblar, seguir.

Dá muito medo o terreno desconhecido e incontrolável, até que você vai entendendo que não tem a rédea, mas pode descer do cavalo e caminhar ao lado dele. E que o medo é um mix de vários outros sentimentos embalados para viagem.

Não bata de frente quando os momentos pegarem pesado. Mande um pivô ao melhor estilo Luiza Brunet e corra para a minha casa. Tenha um colchão itinerante e antiácidos. Para balancear, não fuja de vez da solidão. Como diz Contardo Calligaris, ela “é a condição do diálogo moral de cada um com sua consciência”.

Estamos bem. Estamos prontos para a próxima decolagem.

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27 de fev. de 2013

Aquário - Dreams of visions

"A quadratura entre a Lua e Plutão pode fazer você avaliar de uma forma muito dura as possíveis falhas no seu conhecimento e na sua cultura. Em vez de tentar disfarçar a insegurança, faça perguntas. E dê aos outros, e a você mesmo, a permissão para não saber tudo. Você pode sentir uma atração muito grande por qualquer coisa que seja capaz de mudar radicalmente a rotina do dia a dia. Planeje as mudanças com cuidado."

27 de set. de 2007

Lua vermelha

Os astros começam muito bem:

"O dia de hoje para você
O céu está ajudando você a reaprender a falar. A sua natureza racional não deve estar conseguindo entender porque os outros demoram tanto para entender o que você está dizendo. Até mesmo uma conversa corriqueira pode provocar uma reação inesperada. Aprenda a fazer perguntas..."

Depois perdem a razão:

"Recado dos astros para os aquarianos
Mesmo sem querer você está esbanjando charme e sedução. Só não vale ficar reclamando do assédio que você não escolheu..."

15 de dez. de 2005

Downing of the Age of Aquarius

Antes da retrospectiva águadetomate, nada como as previsões dos astros para Aquário no ano de 2006:

“Em 2006 todos os pactos precisam ser refeitos. Com Netuno no seu signo e Saturno no signo de Leão você terá a sensação que perdeu a autonomia e que todos os seus passos estão sendo determinados pelas necessidades dos seus parceiros. Se encarar essa questão com honestidade vai perceber que as escolhas sempre foram suas e que os outros só funcionaram como um espelho para as suas inseguranças. Mas se os relacionamentos vão ser complicados, a vida profissional vai ficar cada vez melhor. Sua presença vai passar uma firmeza maior do que você realmente tem, mas que vai fazer um enorme sucesso.”

Por Mônica Horta, é claro.
E que assim seja, porque eu quero mesmo é me dar bem no emprego e relacionamento bom é relacionamento trash! Vários, aliás. De uma vez só. E tenho dito!

...suspiro...

11 de dez. de 2005

Let it rain

E lá vai o pó cobrindo este blog novamente...
Último post foi durante um plantão. E este também o é! No iG desde 6h, esperando ansiosamente 14h, sem naaaada o que fazer, com a líder da gang do Babado sentada na posição Lat16º Long25º partindo do Trópico de Capricórnio deste que lhes escreve.

Domingo, 11 de dezembro de 2005, 13h32 e a sua revista eletrônica só vai estar no ar depois das 20h, com uma matéria sobre Le Parkour, assunto do qual EU JÁ falei em primeiríssima mão no iG Jovem: http://igjovem.ig.com.br/materias/338501-339000/338891/338891_1.html

(Lucasof) É fantástico, da idade da pedra, ao homem de plástico...
Ah uh uh ah ah uh uh ah uh uh ah uh uh ahhhhhh


Por falar em ansioso, fiquei altamente perturbado (Ah é? Perturbado, você? Não diga?) depois de ter lido o blog da Mc Fountains..."Permitir outros mundos. Permitir outras pessoas".
E fora que ela é mais uma do fã-clube "Eu leio meu horóscopo em todos os meios de comunicação possíveis e imagináveis e não nego". Mas também não sigo.
No creo, mas que hay, hay.

Só um minuto. Minha olheira comprimiu o olho esquerdo e jogou ele pra fora da órbita.

Pronto, encaixei de volta.
E no mais, isso é tudo.
Abraaaaaço
(& Let it rain, como canta Tracy Chapman)

"Let it rain
As I walk these streets unknown
To no one named
Not even myself
When I'm low

Give me hope
That help is coming
When I need it most..."

19 de nov. de 2005

DesliGado

21h30 de sábado, 19 de novembro de 2005, Lucasof está no iG, sentado na redação do Último Segundo, contando os (perdoem) segundos para poder ir para casa, tomar um banho e pensar no que fazer durante as 8 horas que lhe sobram antes de ter que voltar para o iG.

Cansado como nunca antes. Tudo embolado!
Facul, trabalho, affairs...

Ok, pausa! Estou me desligando deste corpo temporariamente. Qualquer emergência, deixe seu recado após o último bip do medidor de freqüência cardíaca ou tentem falar com o caboclo tranca rua que vai se apoderar deste meu corpo moreno de cabelo sarará.

Caham-ham...é...hum...então...Leram o horóscopo de hoje?

Tudo bem, tudo bem! Já to de saída.
Até a volta, quando uma boa alma da Universal conseguir tirar este encosto e destrancar a minha vida para eu poder voltar à vigília dos 318 pastores sob o manto da riqueza.

4 de nov. de 2005

Jogo búzios e faço amarração amorosa. Só paga se funcionar.

Tudo bem, tudo bem. Prometo que essa será a última vez que faço isso. Lá vai o horóscopo de sábado e domingo para mim:

"A entrada de Vênus na casa do inconsciente tem o poder de transformar em imagens uma série de medos pouco definidos que vivem atrapalhando o seu rendimento e a sua felicidade. Todas as formas de recolhimento e de auto-conhecimento são muito benéficas agora. Se você ainda não sabe meditar, esta é uma época ótima para aprender. Se já sabe, para encontrar mais tempo para isso.

Durante uma boa parte do dia, você vai sentir-se bem nos ambientes abertos e no meio dos seus amigos. Mas não estranhe se a partir do final da tarde você sentir necessidade de um pouco de silêncio e recolhimento. Escolha com muito cuidado o programa que vai fazer esta noite.Com o Sol e Júpiter no meio do céu, você pode estar passando uma imagem poderosa que não corresponde muito à maneira como está se sentindo por dentro. Isso é ótimo...

Se você ainda não fez isso, não vai ser agora que você vai cortar de vez o cordão umbilical. Muito pelo contrário, vai achar que ninguém consegue viver sem você..."

Vejam só, é quase uma bula! Para quem ouviu minhas lamúrias esses dias todos (leia-se amigos de trabalho, colegas de auditório e MC Fountains no Cibiè Caolho), encaixa da maneira fe no me nal. Já estou quase me convertendo e virando um crente fervoroso!

Ok. Devo estar mesmo muito, muuiittoo perturbado esses tempos. Indubitavelmente.
(riso nervoso)

3 de nov. de 2005

Early Edition

O horóscopo de amanhã para o signo de Aquário:

"Você está muito sensível a tudo o que acontece com a sua família. Só não adianta tentar fazer com que todo mundo fique feliz. Cada um tem sua maneira de lidar com a vida.

A presença de Marte em um signo de terra desperta um espírito prático que você dificilmente mostra para o mundo. A necessidade de demonstrações concretas de afeto vai contrabalançar o excesso de idealismo que está dirigindo as suas escolhas desde que Netuno entrou no seu signo."

Quer mais?!?
Mônica Horta roxxx.
Im pa gá vel.

PS: No creo
PS2: Yaya, vai firme e forte que mais um pouco a gente vai rir disso e se entupir de pizza. Força.