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17 de fev. de 2025
Todo dia é uma festa
Meu 42° ano de vida começa sem minha mãe fisicamente perto, sem a ligação dela à meia-noite cantando parabéns num tempo em que eu achava que ela era eterna. Nosso lema era: “todo dia é uma festa”. A gente tem que agradecer por acordar com saúde e fazer de todo dia, tanto quanto possível, uma festa. Curtir, dançar, conversar, brincar, brindar, namorar, deixar claro nosso amor por quem a gente ama, aproveitar tudo de bom ao nosso redor e tentar driblar o resto. Hoje, sabendo que ela é pra sempre, é uma festa no meu coração, cheio de tanto amor e lembranças incríveis.
27 de nov. de 2014
White Collar
- You're the romantic. I mean, what's the deal with the bottle?
- It's an 82 Bordeaux.
- Yeah. Costs 800 bucks a pop.
- It does when it's full. I got it empty.
- Empty?
- Look, when Kate and I met, we had nothing. I got that bottle, and I used to fill it up with whatever cheap wine we could afford. And we'd sit in that crappy apartment and drink it over cold pizza and pretend we were living in the Côte d'Azur.
- How'd that work out for you?
- It didn't. Cause that bottle was a promise of a better life.
--
Sobre outro.
- It's an 82 Bordeaux.
- Yeah. Costs 800 bucks a pop.
- It does when it's full. I got it empty.
- Empty?
- Look, when Kate and I met, we had nothing. I got that bottle, and I used to fill it up with whatever cheap wine we could afford. And we'd sit in that crappy apartment and drink it over cold pizza and pretend we were living in the Côte d'Azur.
- How'd that work out for you?
- It didn't. Cause that bottle was a promise of a better life.
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Sobre outro.
11 de mai. de 2014
Tenho medo de ser um só
Paixão é furtar uma blusa de alguém e vesti-la pra se sentir abraçado, o toque, o cheiro.
Amor é lavar uma camiseta esquecida em seu quarto junto com as suas, porque você emprestou outra limpa para o trabalho, e sorrir ao vê-la dobrada na gaveta de seu guarda-roupa, torcendo pra ela querer voltar sempre ou nunca mais sair.
Namorar é tentar nunca parar de roubar a blusa e rir ao olhar pra camiseta. E ter vontade de usar tudo ao mesmo tempo, até no verão.
Mas, na maioria das vezes, a gente só percebe isso quando vê a blusa em algum canto de algum brechó, por um preço simbólico, e acha a camiseta, desbotada e esgarçada, no fundo da pilha de pijamas e pondera se é tempo dela deixar o armário.
--
Amor é lavar uma camiseta esquecida em seu quarto junto com as suas, porque você emprestou outra limpa para o trabalho, e sorrir ao vê-la dobrada na gaveta de seu guarda-roupa, torcendo pra ela querer voltar sempre ou nunca mais sair.
Namorar é tentar nunca parar de roubar a blusa e rir ao olhar pra camiseta. E ter vontade de usar tudo ao mesmo tempo, até no verão.
Mas, na maioria das vezes, a gente só percebe isso quando vê a blusa em algum canto de algum brechó, por um preço simbólico, e acha a camiseta, desbotada e esgarçada, no fundo da pilha de pijamas e pondera se é tempo dela deixar o armário.
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21 de jan. de 2014
There is a truth and it's on our side
- Sabe do que mais sinto falta do nosso namoro?
- O que?
- A borda de massa tostadinha da pizza do lado da sua casa.
- E eram só R$ 7,90, calabresa ou mussarela.
- Casávamos um pedaço de cada, sem sequer sabermos ficar juntos.
- Foram anos incríveis.
--
- O que?
- A borda de massa tostadinha da pizza do lado da sua casa.
- E eram só R$ 7,90, calabresa ou mussarela.
- Casávamos um pedaço de cada, sem sequer sabermos ficar juntos.
- Foram anos incríveis.
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12 de nov. de 2013
Os Marleys e a gente
Chegamos a ter quatro Pastores Alemães convivendo conosco ao mesmo tempo na casa de minha mãe, no interior de São Paulo. O quintal era imenso e, para uma criança nos seus cinco, seis anos, era quase como dividir uma floresta particular com imensos e velozes animais. Tilim, Bruna, Ceci, Lion. O casal Tilim e Bruna teve seis ninhadas, o que me fez acompanhar várias vezes a gestação, o parto e perceber como uma cachorra lida com sua prole (Pacato e Lela são dois outros dos quais lembro bem). Além dos Pastores, tive um Cocker malhado, tenho uma vira-lata caramelo e minha mãe tem um Beagle grisalho.
Dois deles deixaram passagens intensas. Lion ficou conosco durante 15 anos, 15 sensacionais anos. Tempo suficiente para invertermos, em iguais proporções, a graça e alegria que ele nos deu no auge de seu vigor com o cuidado, carinho e atenção que demandou em sua velhice. Ele foi um grande companheiro, inteligente e safado como esperamos que todo cachorro seja. Velhinho, dormia durante longo tempo com a cabeça em meu colo, enquanto eu espantava os mosquitos que tentavam atrapalhar seu sono e fazia carinho em seus já desbotados pelos.
Uma noite, meu irmão e eu o encontramos deitado no jardim, fraco e muito ofegante. Tentamos animá-lo com leite, seu alimento favorito, com carinho, até que percebemos que ele só queria alento e companhia para que pudesse partir. Cerca de uma hora depois, percebendo seus olhos inquietos e em busca de algo, resolvemos chamar minha mãe, que estava dormindo. Um pouco assustada, ela se juntou à nós, fazendo cafuné em sua barriga e dizendo-lhe que ficasse em paz, que ele havia sido uma imensa alegria em nossas vidas e que era hora de descansar. Lion deu um suspiro longo, foi esmorecendo, fechou os olhos e relaxou as patas. Recolhemos sua coleira e, na manhã seguinte, o enterramos sob as bananeiras, bem perto das folhas de capim-cidreira nas quais ele adorava se coçar e se aninhar.
Quase dois anos depois, adotei um cachorro que encontrei nas ruas. Quando recuperado e em dia, pudemos ver que era um Cocker. Meu Bolacha. Seus pelos compridos, quando perto da hora do próximo banho, viravam um insolúvel emaranhado de folhas, galhos e demais coisas enroscadas ao longo de suas andanças pelo quintal. Ele era uma animação só, bobão e companheiro. Diferente do Teco, o Beagle, gostava de ficar deitado comigo na rede, balançando, nos finais de semana de descanso. Ele ficou doente e internado por bastante tempo, até que precisou ter sua vida abreviada. Eu nunca havia passado por um momento assim. Levamos ele de volta para a casa, para que ficasse conosco em sua última noite. Teco deitou ao seu redor de uma forma que parecia abraçá-lo. Ganhou muito carinho. No dia seguinte, fomos ao veterinário e me despedi, com o coração miúdo e uma confusão de sentimentos. Corri para um colo e para ser abraçado. Bolacha foi enterrado pertinho do Lion, e o Teco passou noites seguidas dormindo ali.
Hoje, essa dupla, Lion e Bolacha, está recepcionando uma pequena Poodle com nome de cantora teen, para que possam correr pelo infinito campo no qual os imagino. De cabelinhos brancos arrepiados, roupinha e um pouco trêmula, ela chega para contar toda a vida que dividiu com um menino aqui na terra, desde pequenos até hoje, um tempo bastante diferente e numa fase de tantos capítulos adultos, mas cujas lembranças e alicerces ainda justificam que ela se chamasse Sandy.

Dois deles deixaram passagens intensas. Lion ficou conosco durante 15 anos, 15 sensacionais anos. Tempo suficiente para invertermos, em iguais proporções, a graça e alegria que ele nos deu no auge de seu vigor com o cuidado, carinho e atenção que demandou em sua velhice. Ele foi um grande companheiro, inteligente e safado como esperamos que todo cachorro seja. Velhinho, dormia durante longo tempo com a cabeça em meu colo, enquanto eu espantava os mosquitos que tentavam atrapalhar seu sono e fazia carinho em seus já desbotados pelos.
Uma noite, meu irmão e eu o encontramos deitado no jardim, fraco e muito ofegante. Tentamos animá-lo com leite, seu alimento favorito, com carinho, até que percebemos que ele só queria alento e companhia para que pudesse partir. Cerca de uma hora depois, percebendo seus olhos inquietos e em busca de algo, resolvemos chamar minha mãe, que estava dormindo. Um pouco assustada, ela se juntou à nós, fazendo cafuné em sua barriga e dizendo-lhe que ficasse em paz, que ele havia sido uma imensa alegria em nossas vidas e que era hora de descansar. Lion deu um suspiro longo, foi esmorecendo, fechou os olhos e relaxou as patas. Recolhemos sua coleira e, na manhã seguinte, o enterramos sob as bananeiras, bem perto das folhas de capim-cidreira nas quais ele adorava se coçar e se aninhar.
Quase dois anos depois, adotei um cachorro que encontrei nas ruas. Quando recuperado e em dia, pudemos ver que era um Cocker. Meu Bolacha. Seus pelos compridos, quando perto da hora do próximo banho, viravam um insolúvel emaranhado de folhas, galhos e demais coisas enroscadas ao longo de suas andanças pelo quintal. Ele era uma animação só, bobão e companheiro. Diferente do Teco, o Beagle, gostava de ficar deitado comigo na rede, balançando, nos finais de semana de descanso. Ele ficou doente e internado por bastante tempo, até que precisou ter sua vida abreviada. Eu nunca havia passado por um momento assim. Levamos ele de volta para a casa, para que ficasse conosco em sua última noite. Teco deitou ao seu redor de uma forma que parecia abraçá-lo. Ganhou muito carinho. No dia seguinte, fomos ao veterinário e me despedi, com o coração miúdo e uma confusão de sentimentos. Corri para um colo e para ser abraçado. Bolacha foi enterrado pertinho do Lion, e o Teco passou noites seguidas dormindo ali.
Hoje, essa dupla, Lion e Bolacha, está recepcionando uma pequena Poodle com nome de cantora teen, para que possam correr pelo infinito campo no qual os imagino. De cabelinhos brancos arrepiados, roupinha e um pouco trêmula, ela chega para contar toda a vida que dividiu com um menino aqui na terra, desde pequenos até hoje, um tempo bastante diferente e numa fase de tantos capítulos adultos, mas cujas lembranças e alicerces ainda justificam que ela se chamasse Sandy.

13 de fev. de 2013
O que leva um dia até outro dia
Eu nasci apressado em uma quarta-feira de cinzas. Eu sou um pouco quarta-feira de cinzas - a Marcha da Quarta-feira de Cinzas -, característica que tatuei na panturrilha esquerda. Solidões e eterna sensação de fim. Não sei se isso está mudando com a idade ou se estou passando a entender melhor.
Aproveito a sensação para pegar meu caderno de rascunhos e a caixa de lembranças. Estranho vasculhar dentro da gente. Quem fomos, o que somos, o que planejamos, o que aconteceu. Algumas frases ainda fazem sentido, soam, quem sabe, como uma mensagem enviada ao futuro. Passo a vasculhar memórias digitais. Há um post de setembro de 2004 com uma foto do prédio da firma e a legenda: “Quem sabe um dia”. Este, agora. Estão ali grandes amores, grandes momentos. Encenação, também. Escolhas. Muita coisa mudou, dentro e ao redor, mas ainda sou um menino (menino?) das mesmas músicas, dos mesmos poemas, das mesmas besteiras.
Na véspera desta quarta, cheguei em casa um pouco mais tarde do que planejei. Carnaval por todas as ruas, por todas as pessoas, diversão obrigatoriamente imensa. As coisas estavam em silêncio e, estranhamente, não liguei a TV ao entrar, gesto praticamente automático. Subi lentamente as escadas, tomei banho, organizei algumas coisas e roupas. Durante esse ritual, sussurrei a música "The Parting Glass". Não sei o que ela fazia em minha cabeça após tantas marchinhas, sambas e axés. O tom talvez fosse um pouco mais melancólico que o desejável para a data.
A primeira vez que ouvi essa canção foi em um seriado, durante uma cena em que uma família se despede da sede de seus negócios, que chegam ao fim. Apagam as luzes, uma a uma, desejam boa noite à empresa. Não se despedem uns dos outros, mas do lugar. Do tempo. Muitos simbolismos para ilustrar um daqueles raros momentos em que temos a consciência de que as coisas não mais serão as mesmas. Podem ser melhores, mas certamente mudarão.
Ouço "The Parting Glass", três versões diferentes. Encontro a cena do seriado. O sono, tão raro, veio. E a calma. Apaguei as luzes, desejei boa noite. Este talvez seja um desses momentos.
Eu comecei em uma quarta-feira de cinzas.
Eu comecei em uma quarta-feira de cinzas.
“E no entanto é preciso cantar
Mais que nunca é preciso cantar (...)
Porque são tantas coisas azuis
Há tão grandes promessas de luz
Tanto amor para amar de que a gente nem sabe”
Mais que nunca é preciso cantar (...)
Porque são tantas coisas azuis
Há tão grandes promessas de luz
Tanto amor para amar de que a gente nem sabe”
--
28 de dez. de 2007
Retrospectiva Água de Tomate 2007
O cinema, microcosmo do mundo, perdeu Antonioni e Bergman e eu penei para construir com palavras uma imagem que sintetize esse ano. A retrospectiva, feita às pressas, ficou trôpega e reflete um pouco esse espírito.
As celebridades perecíveis se acabaram nas drogas e rehab não feita foi um hit. A moda perdeu grandes pessoas, no último suspiro Benazir Buttho foi assassinada e eu entreguei, aflito, um pedaço de mim aos céus.
Diverso, áspero. Como diria minha avó, 2007 foi um ano carepento. Mas teve seus encantos e serviu, ao menos, para traçar rumos para os dias vindouros.
O calor da Zâmbia dominou o clima, os vinhos – embora continue achando todos com gosto de uva podre – tiveram alta na minha vida e comi muito e bem. Ano estranho, definitivamente.
Um quarto de século
Não estou aceitando bem essa coisa da idade e do passar do tempo. À beira dos 25 anos, me bateu uma nostalgia opressora, um aperto. Os cabelos não param de cair, o peso de subir, as memórias de aumentar. Terapia!
Ao meu amado tio
Faltou a sua voz grave e clerical, seu acentuado sotaque italiano para engrossar o Pai Nosso rezado pela família neste Natal. As garrafas de vinho estavam na mesa, mas nenhuma delas com um bom “Sitião” produzido por você.
Faltaram as suas muitas histórias, de um homem que conseguiu transformar os horrores da guerra em ternas lembranças das brincadeiras com o irmão e os primos. Como disse meu irmão, “nem os raivosos ‘Tedeschi’ conseguiram abalar seu peito armado até os dentes de paz”!
E foi na Itália, palco dessas memórias, vendo seu abraço em sua mãe e a expressão de seu rosto, numa disfarçada despedida no jardim da casa – para que ela não sentisse aquilo como outra partida do filho –, que eu pude vislumbrar e entender o que são o amor e a saudade. Ela subiu as escadas para dormir e você voltou para a América.
Agora foi você quem subiu as escadas, dissimulando uma despedida, para encontrar com a Nonna, Luciano, a Vó, o Vo e todos mais que o aguardam com um bom gole de grappa.
Eu chorei e sofri, porque não sei como ajustar meus dias à ausência de sua mão grande espalmada em minha cabeça, ao som de “pensa, filhotón”, e ter quem me explique como funciona o Sudoku, como fazer licores, como amar com sinceridade. Mas me acalmei quando entendi que enquanto todos esperavam ao seu lado por um milagre, você foi o maior de todos. Um beijo, padrinho.
Saio de SP de avião, chego em Buenos Aires de ônibus
Fui muitas vezes ao Rio e estou quase embarcando novamente para o México, mas a viagem do ano certamente foi para a Argentina com os outros três Minhocões. A primeira viagem só com amigos, com momentos deliciosos e inesquecíveis, embora tenhamos visto “a notícia acontecer diante de nossos olhos” e pastado com o caos aéreo e a falta de teto no aeroporto de Buenos Aires.
"Give me the beat boys and free my soul..."
Os Minhocões seguem firmes e fortes trabalhando no mesmo lugar, saindo juntos, viajando e prometendo uma duradoura amizade. Os Quatro do Apocalipse Sorocabano se viram menos, mas todos os encontros foram ótimos. Mania de grupos com o mesmo número de pessoas! O saldo é um fardo tirado das costas, sinceridade, alguém novo com mais idade e menos juízo, abraços em grupo, redenções na festa da firma e uma pendência grave para se resolver.
À mesa
Segui, gentilmente convidado, o roteiro do Prêmio Paladar de gastronomia e comi nos melhores restaurantes de São Paulo. Sai para comer com os amigos no mínimo duas vezes por semana. Recebi os amigos em casa com comida. Jantei pizza com a minha mãe quase todos os sábados. Gastei todos os centavos do meu vale refeição almoçando diariamente. Apresentei novos sabores a alguém que só conhecia arroz e batata-frita. E fechei com chave de ouro essa sanha gulosa com um churrasco na sacada de minha casa, com amigos queridos, patrocínio do grill adquirido via Shoptime e seis quilos a mais.
“E a gente se olha e não sabe se vai ou se fica...”Em julho recebi uma gentil proposta de emprego, para trabalhar com Natasha, mas depois de muita angústia, negociações e espera, continuei no iG. As bancadas não são mais laranja, a maquiagem é profissional, mas continuamos sendo o portal do “pepino na home”. Os astros previram um ano estranho nesse segmento, e assim foi. Entro em 2008 mais sensato, mais contido, com mais canais, planos e idéias. Um curso e algumas palavras trocadas com Matinas Suzuki deram o empurrão necessário para pisar janeiro com disposição. E segue Majara ao meu lado! Nada como roçar os braços e ter alguém para me aturar e me atormentar loucamente assim tão perto. E Fe Fontes atrás, Lemp na sala ao lado. Sem falar de Thais na frente, Carocha na ponta da bancada, Paula logo ali, Adilia e os especiais...Pessoas contam na hora da tomada de decisões.
Pqno
Meu coração foi se enfiar numa dessas coisas que a cabeça não consegue conter. Como têm brigado esses dois, cabeça e coração! Um diz “vai, se atira, seja o que Deus quiser”, o outro está sempre arquitetando, procurando razões para cessar, lembrando das vezes que o conjunto se estilhaçou. É um sorriso bobo que desfaz o impasse e me faz seguir de mãos dadas.
Palavra: angústia
Música: “Elderly woman behind the count in a small town”, Pearl Jam
Livro: “O Amor Líquido”, Zygmunt Bauman
Show: Paralamas (“...em cima dessas rodas também bate um coração”) e Police, no Maracanã.
Restaurante: Casa do Espeto! Quer contar algo, fofocar, desabafar? Casa do Espeto! E o D.O.M. (pode parecer esnobe, mas a comida é sensacional e jantar lá ao lado de Hervé This é marcante).
Viagem: Argentina com os Minhocões.
Filme: Pequena Miss Sunshine
Um lugar: o boteco onde comi empanadas e tomei o tenebroso “Cielito Lindo” na Argentina.
(Re)Descobri: a estampa xadrez.
Uma loja: onde a mãe trabalha, sempre com uma história nova e personagens incríveis.
Uma frase: “A vida te pega na esquina”, certamente.
O que mais valeu a pena: enfrentar um pouco dos meus medos, ser pleno e verdadeiro com os amigos de verdade.
Um momento: ficar ilhado no aeroporto, as jantinhas com meu pai, os jantares com Horta, algumas tardes na Brigadeiro, os finais de semana na casa de minha mãe, a noite "Marie Antoinette" em casa, com macarons, champagne, Ligia Helena e Helena, o aniversário do meu tio...tantos e tantos...
Planos para 2008: manter a casa mais organizada, pagar as contas em dia, gastar menos, perder 6 quilos e parar de comer unha!
O ano acaba assim: ávido para bater os pés no tapete, respirar fundo e começar o próximo com todo o fôlego do mundo. Quase embarcando para uma viagem com a mãe, como há tempos não fazemos, para encontrar o irmão e a cunhada.
Como não poderia deixar de ser, a frase de Chaparro, o primeiro patrão: “que 2008 lhes sorria”!
PS: leio a dos anos anteriores, tão melhores, e começo a pensar que estou perdendo a criatividade e a capacidade de escrever. Fica em 2007, crise!
As celebridades perecíveis se acabaram nas drogas e rehab não feita foi um hit. A moda perdeu grandes pessoas, no último suspiro Benazir Buttho foi assassinada e eu entreguei, aflito, um pedaço de mim aos céus.
Diverso, áspero. Como diria minha avó, 2007 foi um ano carepento. Mas teve seus encantos e serviu, ao menos, para traçar rumos para os dias vindouros.
O calor da Zâmbia dominou o clima, os vinhos – embora continue achando todos com gosto de uva podre – tiveram alta na minha vida e comi muito e bem. Ano estranho, definitivamente.
Um quarto de século
Não estou aceitando bem essa coisa da idade e do passar do tempo. À beira dos 25 anos, me bateu uma nostalgia opressora, um aperto. Os cabelos não param de cair, o peso de subir, as memórias de aumentar. Terapia!
Ao meu amado tio
Faltou a sua voz grave e clerical, seu acentuado sotaque italiano para engrossar o Pai Nosso rezado pela família neste Natal. As garrafas de vinho estavam na mesa, mas nenhuma delas com um bom “Sitião” produzido por você.
Faltaram as suas muitas histórias, de um homem que conseguiu transformar os horrores da guerra em ternas lembranças das brincadeiras com o irmão e os primos. Como disse meu irmão, “nem os raivosos ‘Tedeschi’ conseguiram abalar seu peito armado até os dentes de paz”!
E foi na Itália, palco dessas memórias, vendo seu abraço em sua mãe e a expressão de seu rosto, numa disfarçada despedida no jardim da casa – para que ela não sentisse aquilo como outra partida do filho –, que eu pude vislumbrar e entender o que são o amor e a saudade. Ela subiu as escadas para dormir e você voltou para a América.
Agora foi você quem subiu as escadas, dissimulando uma despedida, para encontrar com a Nonna, Luciano, a Vó, o Vo e todos mais que o aguardam com um bom gole de grappa.
Eu chorei e sofri, porque não sei como ajustar meus dias à ausência de sua mão grande espalmada em minha cabeça, ao som de “pensa, filhotón”, e ter quem me explique como funciona o Sudoku, como fazer licores, como amar com sinceridade. Mas me acalmei quando entendi que enquanto todos esperavam ao seu lado por um milagre, você foi o maior de todos. Um beijo, padrinho.
Saio de SP de avião, chego em Buenos Aires de ônibus
Fui muitas vezes ao Rio e estou quase embarcando novamente para o México, mas a viagem do ano certamente foi para a Argentina com os outros três Minhocões. A primeira viagem só com amigos, com momentos deliciosos e inesquecíveis, embora tenhamos visto “a notícia acontecer diante de nossos olhos” e pastado com o caos aéreo e a falta de teto no aeroporto de Buenos Aires.
"Give me the beat boys and free my soul..."
Os Minhocões seguem firmes e fortes trabalhando no mesmo lugar, saindo juntos, viajando e prometendo uma duradoura amizade. Os Quatro do Apocalipse Sorocabano se viram menos, mas todos os encontros foram ótimos. Mania de grupos com o mesmo número de pessoas! O saldo é um fardo tirado das costas, sinceridade, alguém novo com mais idade e menos juízo, abraços em grupo, redenções na festa da firma e uma pendência grave para se resolver.
À mesa
Segui, gentilmente convidado, o roteiro do Prêmio Paladar de gastronomia e comi nos melhores restaurantes de São Paulo. Sai para comer com os amigos no mínimo duas vezes por semana. Recebi os amigos em casa com comida. Jantei pizza com a minha mãe quase todos os sábados. Gastei todos os centavos do meu vale refeição almoçando diariamente. Apresentei novos sabores a alguém que só conhecia arroz e batata-frita. E fechei com chave de ouro essa sanha gulosa com um churrasco na sacada de minha casa, com amigos queridos, patrocínio do grill adquirido via Shoptime e seis quilos a mais.
“E a gente se olha e não sabe se vai ou se fica...”Em julho recebi uma gentil proposta de emprego, para trabalhar com Natasha, mas depois de muita angústia, negociações e espera, continuei no iG. As bancadas não são mais laranja, a maquiagem é profissional, mas continuamos sendo o portal do “pepino na home”. Os astros previram um ano estranho nesse segmento, e assim foi. Entro em 2008 mais sensato, mais contido, com mais canais, planos e idéias. Um curso e algumas palavras trocadas com Matinas Suzuki deram o empurrão necessário para pisar janeiro com disposição. E segue Majara ao meu lado! Nada como roçar os braços e ter alguém para me aturar e me atormentar loucamente assim tão perto. E Fe Fontes atrás, Lemp na sala ao lado. Sem falar de Thais na frente, Carocha na ponta da bancada, Paula logo ali, Adilia e os especiais...Pessoas contam na hora da tomada de decisões.
Pqno
Meu coração foi se enfiar numa dessas coisas que a cabeça não consegue conter. Como têm brigado esses dois, cabeça e coração! Um diz “vai, se atira, seja o que Deus quiser”, o outro está sempre arquitetando, procurando razões para cessar, lembrando das vezes que o conjunto se estilhaçou. É um sorriso bobo que desfaz o impasse e me faz seguir de mãos dadas.
Palavra: angústia
Música: “Elderly woman behind the count in a small town”, Pearl Jam
Livro: “O Amor Líquido”, Zygmunt Bauman
Show: Paralamas (“...em cima dessas rodas também bate um coração”) e Police, no Maracanã.
Restaurante: Casa do Espeto! Quer contar algo, fofocar, desabafar? Casa do Espeto! E o D.O.M. (pode parecer esnobe, mas a comida é sensacional e jantar lá ao lado de Hervé This é marcante).
Viagem: Argentina com os Minhocões.
Filme: Pequena Miss Sunshine
Um lugar: o boteco onde comi empanadas e tomei o tenebroso “Cielito Lindo” na Argentina.
(Re)Descobri: a estampa xadrez.
Uma loja: onde a mãe trabalha, sempre com uma história nova e personagens incríveis.
Uma frase: “A vida te pega na esquina”, certamente.
O que mais valeu a pena: enfrentar um pouco dos meus medos, ser pleno e verdadeiro com os amigos de verdade.
Um momento: ficar ilhado no aeroporto, as jantinhas com meu pai, os jantares com Horta, algumas tardes na Brigadeiro, os finais de semana na casa de minha mãe, a noite "Marie Antoinette" em casa, com macarons, champagne, Ligia Helena e Helena, o aniversário do meu tio...tantos e tantos...
Planos para 2008: manter a casa mais organizada, pagar as contas em dia, gastar menos, perder 6 quilos e parar de comer unha!
O ano acaba assim: ávido para bater os pés no tapete, respirar fundo e começar o próximo com todo o fôlego do mundo. Quase embarcando para uma viagem com a mãe, como há tempos não fazemos, para encontrar o irmão e a cunhada.
Como não poderia deixar de ser, a frase de Chaparro, o primeiro patrão: “que 2008 lhes sorria”!
PS: leio a dos anos anteriores, tão melhores, e começo a pensar que estou perdendo a criatividade e a capacidade de escrever. Fica em 2007, crise!
20 de mar. de 2007
Crônica de um tempo amargo
Era novo
Somavam sete
Quando ele partiu
Era carnaval
Foi em busca
Baile de silêncio
Rostos nos bolsos
Reconstruído
Ele mostrou-se
Quanto novo
Vontade nos poros
Era amor
E voou
Era Natal
Fim
No começo de um ano velho
Ela veio
Outras formas
As coisas podiam mudar
Promessas
Foram erros
Em cama de acertos
Era Páscoa
Ressurreição do amargor
Hoje é medo
Tudo é perda
Fechei
Forjei
Invento
Tudo são datas
Em lápides
De corpos quentes
Desfaço-me
Perco
Estilhaço
A alma alheia
Esfrio
--
Memórias do miolo da adolescência. Algumas saudades.
Somavam sete
Quando ele partiu
Era carnaval
Foi em busca
Baile de silêncio
Rostos nos bolsos
Reconstruído
Ele mostrou-se
Quanto novo
Vontade nos poros
Era amor
E voou
Era Natal
Fim
No começo de um ano velho
Ela veio
Outras formas
As coisas podiam mudar
Promessas
Foram erros
Em cama de acertos
Era Páscoa
Ressurreição do amargor
Hoje é medo
Tudo é perda
Fechei
Forjei
Invento
Tudo são datas
Em lápides
De corpos quentes
Desfaço-me
Perco
Estilhaço
A alma alheia
Esfrio
--
Memórias do miolo da adolescência. Algumas saudades.
7 de out. de 2005
Só o que sobra é a memória
Meu avô morreu e minha avó não quis morar sozinha. Desfez-se da casa e passou a morar três meses na casa de cada um dos seis filhos. Menos na de um, “porcão”, ela dizia, “porque a casa dele é muito suja”.
Poucos anos e alguns desentendimentos depois, ficava apenas na casa de quatro deles. Depois, na de três. Os filhos começaram a sentir-se incomodados, a tratá-la não tão bem como deveriam. E ela nunca conseguia fincar raízes em um lugar, ter seu cantinho, suas coisas todas juntas.
Foi aí que minha mãe – sempre ela – chamou minha avó em um canto e disse que já era hora dela parar de agüentar humilhações e ter uma casa onde ela pudesse receber filhos, amigos e netos.Ela, que tão amuadinha andava, titubeou. Mas foi. Penou um pouco no começo, mas depois renasceu.
Recebia as amigas para um chá, o pessoal da igreja para o arroz-doce depois do culto, cultivava suas lindas plantas, recebia os netos todos para dormir lá nos fins de semana, fazia café para os filhos aos domingos, começou (isso mesmo, não voltou, começou) a ler (adorava romances água-com-açúcar, ao melhor estilo Cinco Minutos de José de Alencar)...
...e fez uma amiga, Dorothy. Eram vizinhas de porta e se adoraram. Apresentava a nova amiga assim: “Essa é Dorothy, minha amigona. Ela é poetisa! Da Academia Sorocabana de Letras, julgadora em concursos de literatura”. Era uma amizade encantadora.
Minha avó foi, pela mão de um “anjo do senhor”, zelar por nós lá do alto. Deixou, além das saudades, de suas plantinhas, suas histórias, da prova de que é possível renascer e ser muito feliz a qualquer hora da vida, a amiga poeta:
“Tive quatro premiações este ano. A Therezinha era sempre a primeira a ouvir as minhas bobaginhas. Como ela gostava muito, mando-as aqui Sei que você e os meninos gostam:
Niterói - tema Promessa
Ora eloqüente, ora mudo,
teu olhar é uma charada:
promessa sutil de Tudo,
no fútil revés... do Nada!
São Paulo - tema Cristal
Atravessando o vitral,
a luz do sol se desvela,
pondo, em chispas de cristal,
seu brilho à humilde capela.
Pirapetinga - tema Saudade
Persuasiva e eloqüente,
saudade fala de afeto,
com sete letras, somente,
que valem todo o alfabeto.
Pouso Alegre - tema Coragem
Coragem?! Ah quem me dera
que por graça ou bruxaria,
aquela mulher que eu era
ressuscitasse algum dia!
Dorothy Moretti”
Poucos anos e alguns desentendimentos depois, ficava apenas na casa de quatro deles. Depois, na de três. Os filhos começaram a sentir-se incomodados, a tratá-la não tão bem como deveriam. E ela nunca conseguia fincar raízes em um lugar, ter seu cantinho, suas coisas todas juntas.
Foi aí que minha mãe – sempre ela – chamou minha avó em um canto e disse que já era hora dela parar de agüentar humilhações e ter uma casa onde ela pudesse receber filhos, amigos e netos.Ela, que tão amuadinha andava, titubeou. Mas foi. Penou um pouco no começo, mas depois renasceu.
Recebia as amigas para um chá, o pessoal da igreja para o arroz-doce depois do culto, cultivava suas lindas plantas, recebia os netos todos para dormir lá nos fins de semana, fazia café para os filhos aos domingos, começou (isso mesmo, não voltou, começou) a ler (adorava romances água-com-açúcar, ao melhor estilo Cinco Minutos de José de Alencar)...
...e fez uma amiga, Dorothy. Eram vizinhas de porta e se adoraram. Apresentava a nova amiga assim: “Essa é Dorothy, minha amigona. Ela é poetisa! Da Academia Sorocabana de Letras, julgadora em concursos de literatura”. Era uma amizade encantadora.
Minha avó foi, pela mão de um “anjo do senhor”, zelar por nós lá do alto. Deixou, além das saudades, de suas plantinhas, suas histórias, da prova de que é possível renascer e ser muito feliz a qualquer hora da vida, a amiga poeta:
“Tive quatro premiações este ano. A Therezinha era sempre a primeira a ouvir as minhas bobaginhas. Como ela gostava muito, mando-as aqui Sei que você e os meninos gostam:
Niterói - tema Promessa
Ora eloqüente, ora mudo,
teu olhar é uma charada:
promessa sutil de Tudo,
no fútil revés... do Nada!
São Paulo - tema Cristal
Atravessando o vitral,
a luz do sol se desvela,
pondo, em chispas de cristal,
seu brilho à humilde capela.
Pirapetinga - tema Saudade
Persuasiva e eloqüente,
saudade fala de afeto,
com sete letras, somente,
que valem todo o alfabeto.
Pouso Alegre - tema Coragem
Coragem?! Ah quem me dera
que por graça ou bruxaria,
aquela mulher que eu era
ressuscitasse algum dia!
Dorothy Moretti”
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