- Upon my heart: just one slow dance, I'll rescue you
- American Pie: can you teach me how to dance real slow?
I knew if I had my chance that I could make those people dance and maybe they'd be happy for a while…
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31 de jan. de 2013
30 de jan. de 2013
Não vá ainda
- Não vai. Espera amanhecer. Não é isso que diz aquela música?
- É espera anoitecer. A noite é linda, me espera adormecer. Risos.
- Já está noite. Linda. Tanto melhor.
- Mas preciso...
- Ainda tem tanta novidade pra gente caçar.
- Talvez eu esteja cansado...
- Talvez você esteja fugindo.
- Talvez eu esteja inventando.
- Talvez você esteja machucado.
- Só o tempo, não?
- O remédio está aí dentro. Aí, ó. Não desconta no tempo.
- Descontar?!
- Vem logo. O novo acelera, se seu problema é o tempo.
- Tenho medo do novo, tenho medo do passar do tempo.
- Fecha os olhos, então. Te levo pela mão e vou contando, até que você não resista a espiar com esses olhos esbugalhados.
- É espera anoitecer. A noite é linda, me espera adormecer. Risos.
- Já está noite. Linda. Tanto melhor.
- Mas preciso...
- Ainda tem tanta novidade pra gente caçar.
- Talvez eu esteja cansado...
- Talvez você esteja fugindo.
- Talvez eu esteja inventando.
- Talvez você esteja machucado.
- Só o tempo, não?
- O remédio está aí dentro. Aí, ó. Não desconta no tempo.
- Descontar?!
- Vem logo. O novo acelera, se seu problema é o tempo.
- Tenho medo do novo, tenho medo do passar do tempo.
- Fecha os olhos, então. Te levo pela mão e vou contando, até que você não resista a espiar com esses olhos esbugalhados.
29 de jan. de 2013
Sobre o que é o amor, sobre o que eu nem sei quem sou
Da Folha de S. Paulo / NYT
(...) Criados na era do "ficar", os jovens da geração do milênio (também conhecidos como geração Y), que agora estão começando a pensar em se assentar, vêm subvertendo as regras da sedução.
(...) Eles entram em contato por mensagens de texto, posts no Facebook, MSN ou semelhantes e outras formas de "não encontros". Tudo isso vem deixando uma geração que não sabe como conseguir um namorado ou uma namorada.
"O novo encontro não é um encontro, é passar tempo juntos", comentou Denise Hewett, 24, produtora de TV em Nova York que está criando um seriado sobre essa nova paisagem romântica. Como um amigo lhe disse: "Não gosto de levar uma garota para sair. Gosto que ela me encontre em alguma coisa que estou fazendo - ir a um evento, um show, por exemplo".
(...) O problema, disse ela, é que "os jovens de hoje não sabem o que fazer além de 'ficar'.
(...) Para fazer a corte a alguém do modo tradicional - ou seja, pegar o telefone e convidar a pessoa para sair - era preciso coragem, planejamento e um investimento considerável de ego (uma rejeição ouvida pelo telefone dói).
Não é o caso com as mensagens de texto, os e-mails, o Twitter. (...) No contexto do relacionamento, esses tipos de comunicação dispensam o charme, em grande medida.
Diante de um fluxo interminável de solteiros entre os quais escolher nos sites de encontros on-line, muitas pessoas têm medo de estar perdendo alguma coisa interessante, então optam pela abordagem "speed-dating" - ou seja, passam rapidamente por grande número de pretendentes. (...)
"É como jogar dardos contra um alvo", disse Joshua Sky, 26, coordenador de "branding" em Manhattan. "Alguma hora uma das setas vai grudar no alvo."
Há outra razão que explica por que os encontros à moda tradicional tornaram-se obsoletos. Se o objetivo do primeiro encontro era saber um pouco sobre as origens do pretendente, seu grau de instrução, suas tendências políticas e seus gostos, hoje o Google e o Facebook cuidam de tudo isso. (...)
Matéria completa: Jovens subvertem regras da sedução com 'não encontros'
(...) Criados na era do "ficar", os jovens da geração do milênio (também conhecidos como geração Y), que agora estão começando a pensar em se assentar, vêm subvertendo as regras da sedução.
(...) Eles entram em contato por mensagens de texto, posts no Facebook, MSN ou semelhantes e outras formas de "não encontros". Tudo isso vem deixando uma geração que não sabe como conseguir um namorado ou uma namorada.
"O novo encontro não é um encontro, é passar tempo juntos", comentou Denise Hewett, 24, produtora de TV em Nova York que está criando um seriado sobre essa nova paisagem romântica. Como um amigo lhe disse: "Não gosto de levar uma garota para sair. Gosto que ela me encontre em alguma coisa que estou fazendo - ir a um evento, um show, por exemplo".
(...) O problema, disse ela, é que "os jovens de hoje não sabem o que fazer além de 'ficar'.
(...) Para fazer a corte a alguém do modo tradicional - ou seja, pegar o telefone e convidar a pessoa para sair - era preciso coragem, planejamento e um investimento considerável de ego (uma rejeição ouvida pelo telefone dói).
Não é o caso com as mensagens de texto, os e-mails, o Twitter. (...) No contexto do relacionamento, esses tipos de comunicação dispensam o charme, em grande medida.
Diante de um fluxo interminável de solteiros entre os quais escolher nos sites de encontros on-line, muitas pessoas têm medo de estar perdendo alguma coisa interessante, então optam pela abordagem "speed-dating" - ou seja, passam rapidamente por grande número de pretendentes. (...)
"É como jogar dardos contra um alvo", disse Joshua Sky, 26, coordenador de "branding" em Manhattan. "Alguma hora uma das setas vai grudar no alvo."
Há outra razão que explica por que os encontros à moda tradicional tornaram-se obsoletos. Se o objetivo do primeiro encontro era saber um pouco sobre as origens do pretendente, seu grau de instrução, suas tendências políticas e seus gostos, hoje o Google e o Facebook cuidam de tudo isso. (...)
Matéria completa: Jovens subvertem regras da sedução com 'não encontros'
28 de jan. de 2013
Janeiro
Até o meio da adolescência olhava para o Rio com a cara amarrada. Eram memórias dos tempos da separação de meus pais, a idéia de violência, a resistência com o sal e a areia. Até que, nas catracas do metrô de São Paulo, dei um passo na direção contrária e voltei a calçar meus chinelos e fazer uma pequena mala.
Gabriel me fez entender a vida no Rio, os cariocas e seu abraço. Nossos dias na Tijuca ainda tinham muito dessas linhas que escrevi acima, mas foi o começo do desmanchar. Foi o tempo da cidade, não da praia. Scrumble, Gummy, comida da Tia Wanda, família, flauta transversa e passeios alternativíssimos para o Lucasof de então. A Floresta da Tijuca de All Star, foto lá no topo e bolhas nos pés. Os amigos, a faculdade, a estação Saens Peña e a praça Varnhagen, que o sotaque transformava em algo engraçado. As despedidas. "A onda ainda quebra na praia, espumas se misturam com o vento", canta Lenine quando rememoro.
Thais, a superlativa Thata, que define o Rio como "o mar, quatro quadras e uma enorme pedra", quando fomos juntos à um casamento, me fez voltar a pisar a areia, comer empada dos vendedores ambulantes, ouvir a música que entoam para vender mate, sanduíche natural, biscoito Globo. Entrar no mar, sorrir para o sol, caminhar sem rumo, sem porquê, feliz.
Com o Caio foram dias que alguns posts anteriores sintetizam melhor do que poderia fazer neste texto. Foram lindos. Foram tantas regatas e caipirinhas na praia, lanches no quarto do hotel. Shopping, claro, porque somos paulistas. As caminhadas no calçadão, ainda que trôpegas, poderiam ser uma gravação de videoclipe para música de Avril, que perseguimos e assustamos. A graça de um macaquinho comendo bolacha no caminho para o Cristo e seus incansáveis braços erguidos. E, asseguro, as memórias todas ainda estão lá. Acabei de conferir. As melhores, as coradas, sustentadas por muita isca de peixe. As outras, nubladas, choveram, permearam a areia e refizeram-se.
Bethânia declama o lado que menos visito, mas a aura do todo. “Foi Copacabana quem me recebeu, com seu cheiro de batata-frita e gasolina, suas tardes de raios e trovões inesperados e as suas noites inesquecíveis, mágicas”. O botão "stop" apertado na década de 1970.
Toda ida para lá carrega comigo um pouco de angústia; desafiar minha inerente solidão, o nada do mundo de História Sem Fim. Passa ao desembarcar, porque sei que ali existe alegria e calor. Em vez de Fantasia se desfazendo, é Pleasantville ganhando cores. Technicolor. São todas as músicas já compostas.
Por entre túneis escuros, ruas decadentes, casarões esfarelando, morros e artérias vermelha e amarela chega-se a visuais incríveis. São caminhos. Passagens.
O Rio e eu estamos constantemente fazendo as pazes, melancólicos como a voz de Johnny Cash. Pedindo um ao outro 'perdão pela duração dessa temporada, dizendo pros da pesada que vamos levando'.
Agora, cercado de amigos das mais diversas origens e corações, junto mais uma porção de lembranças sobre a cidade. Fe Fontes regeu esses dias com seu encanto que transborda. Lets e seu sorrisão atravessaram comigo a avenida atrás do bloco de carnaval, embaixo da chuva, depois de muito sol. É assim, mistura. Vinny e sua busca pela fuga de todo o concreto de Brasília. E gente nova. Conhecer. Rir. Mudar. Continuar.
Aprendi a fazer do Rio minha notícia boa.
--
Gabriel me fez entender a vida no Rio, os cariocas e seu abraço. Nossos dias na Tijuca ainda tinham muito dessas linhas que escrevi acima, mas foi o começo do desmanchar. Foi o tempo da cidade, não da praia. Scrumble, Gummy, comida da Tia Wanda, família, flauta transversa e passeios alternativíssimos para o Lucasof de então. A Floresta da Tijuca de All Star, foto lá no topo e bolhas nos pés. Os amigos, a faculdade, a estação Saens Peña e a praça Varnhagen, que o sotaque transformava em algo engraçado. As despedidas. "A onda ainda quebra na praia, espumas se misturam com o vento", canta Lenine quando rememoro.
Thais, a superlativa Thata, que define o Rio como "o mar, quatro quadras e uma enorme pedra", quando fomos juntos à um casamento, me fez voltar a pisar a areia, comer empada dos vendedores ambulantes, ouvir a música que entoam para vender mate, sanduíche natural, biscoito Globo. Entrar no mar, sorrir para o sol, caminhar sem rumo, sem porquê, feliz.
Com o Caio foram dias que alguns posts anteriores sintetizam melhor do que poderia fazer neste texto. Foram lindos. Foram tantas regatas e caipirinhas na praia, lanches no quarto do hotel. Shopping, claro, porque somos paulistas. As caminhadas no calçadão, ainda que trôpegas, poderiam ser uma gravação de videoclipe para música de Avril, que perseguimos e assustamos. A graça de um macaquinho comendo bolacha no caminho para o Cristo e seus incansáveis braços erguidos. E, asseguro, as memórias todas ainda estão lá. Acabei de conferir. As melhores, as coradas, sustentadas por muita isca de peixe. As outras, nubladas, choveram, permearam a areia e refizeram-se.
Bethânia declama o lado que menos visito, mas a aura do todo. “Foi Copacabana quem me recebeu, com seu cheiro de batata-frita e gasolina, suas tardes de raios e trovões inesperados e as suas noites inesquecíveis, mágicas”. O botão "stop" apertado na década de 1970.
Toda ida para lá carrega comigo um pouco de angústia; desafiar minha inerente solidão, o nada do mundo de História Sem Fim. Passa ao desembarcar, porque sei que ali existe alegria e calor. Em vez de Fantasia se desfazendo, é Pleasantville ganhando cores. Technicolor. São todas as músicas já compostas.
Por entre túneis escuros, ruas decadentes, casarões esfarelando, morros e artérias vermelha e amarela chega-se a visuais incríveis. São caminhos. Passagens.
O Rio e eu estamos constantemente fazendo as pazes, melancólicos como a voz de Johnny Cash. Pedindo um ao outro 'perdão pela duração dessa temporada, dizendo pros da pesada que vamos levando'.
Agora, cercado de amigos das mais diversas origens e corações, junto mais uma porção de lembranças sobre a cidade. Fe Fontes regeu esses dias com seu encanto que transborda. Lets e seu sorrisão atravessaram comigo a avenida atrás do bloco de carnaval, embaixo da chuva, depois de muito sol. É assim, mistura. Vinny e sua busca pela fuga de todo o concreto de Brasília. E gente nova. Conhecer. Rir. Mudar. Continuar.
Aprendi a fazer do Rio minha notícia boa.
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21 de jan. de 2013
Olhos de cão azul
"Agora creio que amanhã não a esquecerei. Mas sempre esqueço ao acordar quais são as palavras com que posso encontrar você"
14 de jan. de 2013
Pelas ruas
- O que está fazendo agora?
- Estou andando pelas ruas e maquinando.
- Maquinando o que?
- Sobre a vida. Queria saber fazê-la melhor, mais leve, num estalar de dedos.
- Às vezes a gente sabe.
- Como?
- Depende. Uma mudança de atitude, de pensamento, de foco. É difícil se desprender de certos sentimentos e atitudes. E às vezes dói. Tem que descobrir...
13 de jan. de 2013
Real and honest and normal against all odds
"... I know you’re inside those blue eyes somewhere and that there are so many things that you won’t understand tonight, but this is the only important one to take in: I love you, I love you, I love you. And I hope that if I say this three times, it will magically and perfectly enter into your soul, fill you with grace and the joy of knowing that you did good in this life."
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Para minha mãe, que enfrentou suas noites mais escuras para manter meus dias ensolarados. Que segura firme minha mão, ainda que sem entender bem algumas coisas, mas sem jamais titubear no amor.
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Para minha mãe, que enfrentou suas noites mais escuras para manter meus dias ensolarados. Que segura firme minha mão, ainda que sem entender bem algumas coisas, mas sem jamais titubear no amor.
11 de jan. de 2013
Break, blow, burn, and make me new
- Como você está?
- Arrumando a casa para os trinta.
- E como se sente?
- Ainda não sei. Uma confusão. Como é?
- É igual, mas é meio chique. Trinta... Tipo café sem açúcar, sabe?
- Bittersweet?
- Não é sobre o sabor, é sobre o todo. É meio chique. E o que quer na casa arrumada?
- Mais rumo, mais novidade, mais encanto, mais fidelidade, mais cafuné...
- Mais um monte...
- Arrumando a casa para os trinta.
- E como se sente?
- Ainda não sei. Uma confusão. Como é?
- É igual, mas é meio chique. Trinta... Tipo café sem açúcar, sabe?
- Bittersweet?
- Não é sobre o sabor, é sobre o todo. É meio chique. E o que quer na casa arrumada?
- Mais rumo, mais novidade, mais encanto, mais fidelidade, mais cafuné...
- Mais um monte...
6 de jan. de 2013
Ruby Sparks
"I'm sorry for every word I wrote to change you. I'm sorry for so many things. I couldn't see you when you were here and now that you're gone, I see you everywhere. You may see this and think it's magic, but falling in love is an act of magic - so is writing".
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Fomos um rito de passagem, do austríaco do porão ao Grito, de Edvard Munch, passando pelos 15' de Warhol.
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Fomos um rito de passagem, do austríaco do porão ao Grito, de Edvard Munch, passando pelos 15' de Warhol.
21 de nov. de 2012
Les émotifs anonymes
“We’ll pull each other down like two people drowning. Our struggling will only make us sink faster. I don’t want to sink, or drown; even with you”
4 de nov. de 2012
A vida em preto e branco
Ela se pôs bonita. Ele disse que viria. Arrumou-se, arrumou-a. Cada item da casa foi disposto como imaginara em suas andanças. Copos trazidos à frente no armário, bibelôs, referências, canções.
Há meses, anos, talvez, não tinham uma ocasião como essa. Ensaios, arremetidas e desandadas tiveram aos montes.
Ela fugiu por um tempo. Funcionou por uns instantes, até que percebeu o corpo entorpecido sem cabeça, que já voltara para o setecentismo. Regressou, à revelia, pela primeira vez. Trouxe junto ao corpo muitas possibilidades, um brinde, votos, temperos. Tudo com seu motivo, tudo com sua hora, tudo para uma virada. Estes ensaios...
A casa, por mais abarrotada de quinquilharias que sempre tenha sido, parecia vazia, ecoava. Agora, não mais. Tudo como na imaginação, batia os pés para os passos da dança que nunca tiveram sob o piso mal encerado da sala. Ela tinha vergonhas e dogmas que a tolhiam. Um peito carregado de vontades e ousadia. Dentro dos olhos, vestidos floridos, rodados, brisa, colo, sons alegres, gramado, cafuné. Não extrapolavam as pálpebras.
Mas ele disse que viria.
Sem voz, informou que não poderia hoje, alguns contratempos e compromissos. Ela dormiu, mantendo a cena intacta. Amanhã.
Assoprou a poeira logo ao levantar, reavivou as flores, tirou a comida dos potes. Permaneceu na poltrona, ao lado do telefone. Eras. As pernas formigaram, esticou-as, estendeu os pés, girou-os. Pequenas pausas para checar os cabelos e o disfarce das olheiras no espelho do hall.
Era quase hora.
Veio. Precisava recolher algumas coisas. Entrou, como se ainda fosse parte, recolheu o que precisava. Ela sorriu amarelada, tentou uma pose, balbuciou miudezas. Disse-lhe para jantar. Ele beliscou uma nesga do frango, com as mãos.
Sua vida seguiu. O que era e o que não era já não se saberia detectar. Não sumiu, mas gostava de estar longe. Dizia coisas, vivia outras, imagina-se o que mais.
Uma buzina entra pela janela, para recolher tudo aquilo. A novidade o esperava, impaciente, para seguirem a vida. Apanhou mais um ou dois itens, o embrulhinho que ela entregara no início, deixado sobre o bufê. Fechou a porta logo ao passar. Ela não tinha um olho mágico.
Não é possível precisar quanto tempo ela permaneceu estática, em pé, com assombrados olhos. Destemperada.
Recolheu a comida. Abriu uma bebida, não estava tão doce e colorida como onde a experimentou pela primeira vez, no onírico quebrar de pequenas ondas do mar nos degraus da praça. Parecia a última pessoa da terra, como naquele quadro. Concentrou forças para dar um passo fora, pensou. O que conseguiu foi resgatar uma velha fita e pô-la para tocar. Françoise Hardy, Tous les garcons et les filles. Sorriu, constrangida. Fez sentido. Vagarosamente fechou os olhos, com força. Afastou os braços alguns centímetros do corpo, tombou alguns outros centímetros a cabeça para a esquerda, lembrou do videoclipe, do vai e vem do barco viking com as mãos nos bolsos, as saias, a roda-gigante, a cidade.
Ela sabia aquilo tudo. Dormiu com a esperança de não desmanchar o penteado.
--
A temple, the higher law.
Há meses, anos, talvez, não tinham uma ocasião como essa. Ensaios, arremetidas e desandadas tiveram aos montes.
Ela fugiu por um tempo. Funcionou por uns instantes, até que percebeu o corpo entorpecido sem cabeça, que já voltara para o setecentismo. Regressou, à revelia, pela primeira vez. Trouxe junto ao corpo muitas possibilidades, um brinde, votos, temperos. Tudo com seu motivo, tudo com sua hora, tudo para uma virada. Estes ensaios...
A casa, por mais abarrotada de quinquilharias que sempre tenha sido, parecia vazia, ecoava. Agora, não mais. Tudo como na imaginação, batia os pés para os passos da dança que nunca tiveram sob o piso mal encerado da sala. Ela tinha vergonhas e dogmas que a tolhiam. Um peito carregado de vontades e ousadia. Dentro dos olhos, vestidos floridos, rodados, brisa, colo, sons alegres, gramado, cafuné. Não extrapolavam as pálpebras.
Mas ele disse que viria.
Sem voz, informou que não poderia hoje, alguns contratempos e compromissos. Ela dormiu, mantendo a cena intacta. Amanhã.
Assoprou a poeira logo ao levantar, reavivou as flores, tirou a comida dos potes. Permaneceu na poltrona, ao lado do telefone. Eras. As pernas formigaram, esticou-as, estendeu os pés, girou-os. Pequenas pausas para checar os cabelos e o disfarce das olheiras no espelho do hall.
Era quase hora.
Veio. Precisava recolher algumas coisas. Entrou, como se ainda fosse parte, recolheu o que precisava. Ela sorriu amarelada, tentou uma pose, balbuciou miudezas. Disse-lhe para jantar. Ele beliscou uma nesga do frango, com as mãos.
Sua vida seguiu. O que era e o que não era já não se saberia detectar. Não sumiu, mas gostava de estar longe. Dizia coisas, vivia outras, imagina-se o que mais.
Uma buzina entra pela janela, para recolher tudo aquilo. A novidade o esperava, impaciente, para seguirem a vida. Apanhou mais um ou dois itens, o embrulhinho que ela entregara no início, deixado sobre o bufê. Fechou a porta logo ao passar. Ela não tinha um olho mágico.
Não é possível precisar quanto tempo ela permaneceu estática, em pé, com assombrados olhos. Destemperada.
Recolheu a comida. Abriu uma bebida, não estava tão doce e colorida como onde a experimentou pela primeira vez, no onírico quebrar de pequenas ondas do mar nos degraus da praça. Parecia a última pessoa da terra, como naquele quadro. Concentrou forças para dar um passo fora, pensou. O que conseguiu foi resgatar uma velha fita e pô-la para tocar. Françoise Hardy, Tous les garcons et les filles. Sorriu, constrangida. Fez sentido. Vagarosamente fechou os olhos, com força. Afastou os braços alguns centímetros do corpo, tombou alguns outros centímetros a cabeça para a esquerda, lembrou do videoclipe, do vai e vem do barco viking com as mãos nos bolsos, as saias, a roda-gigante, a cidade.
Ela sabia aquilo tudo. Dormiu com a esperança de não desmanchar o penteado.
| Two Human Beings: The Lonely Ones, Edvard Munch |
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A temple, the higher law.
8 de out. de 2012
Relendo "Amor Líquido", de Zygmunt Bauman
Este post, com excertos desorganizados que copiei enquanto relia, é dedicado, parafraseando o livro, “aos riscos e ansiedades de se viver junto, e separado, em nosso líquido mundo moderno”.
--
"Em nosso mundo de furiosa “individualização”, os relacionamentos são bênçãos ambíguas. Oscilam entre o sonho e o pesadelo, e não há como determinar quando um se transforma no outro.
E assim é numa cultura consumista como a nossa, que favorece o produto pronto para uso imediato, o prazer passageiro, a satisfação instantânea, resultados que não exijam esforços prolongados, receitas testadas, garantias de seguro total e devolução do dinheiro.
Sem humildade e coragem não há amor. Essas duas qualidades são exigidas, em escalas enormes e contínuas, quando se ingressa numa terra inexplorada e não-mapeada. E é a esse território que o amor conduz ao se instalar entre dois ou mais seres humanos.
"Estar num relacionamento" significa muita dor de cabeça, mas sobretudo uma incerteza permanente. Você nunca poderá estar plena e verdadeiramente seguro daquilo que faz — ou de ter feito a coisa certa ou no momento preciso.
Você busca o relacionamento na expectativa de mitigar a insegurança que infestou sua solidão; mas o tratamento só fez expandir os sintomas, e agora você talvez se sinta mais inseguro do que antes, ainda que essa "nova e agravada" insegurança provenha de outras paragens.
Quando se sentem inseguros, os amantes tendem a se portar de modo não construtivo, seja tentando agradar ou controlar, talvez até agredindo fisicamente — o que provavelmente afastará o outro ainda mais. Quando a insegurança sobe a bordo, perde-se a confiança, a ponderação e a estabilidade da navegação. À deriva, a frágil balsa do relacionamento oscila entre as duas rochas nas quais muitas parcerias esbarram: a submissão e o poder absolutos, a aceitação humilde e a conquista arrogante, destruindo a própria autonomia e sufocando a do parceiro.
--
Nós pertencemos ao fluxo constante de palavras e sentenças inconclusas (abreviadas, truncadas para acelerar a circulação). Pertencemos à conversa, não àquilo sobre o que se conversa.
A introspecção é substituída por uma interação frenética e frívola que revela nossos segredos mais profundos juntamente com nossas listas de compras. (...) Se você interromper a conversa, está fora. O silêncio equivale à exclusão. De fato, 11 n'y a pas dehors du texte — não há nada fora do texto.
Para cada ganho há uma perda. Para cada realização, um preço. Não importam o horror e a repulsa com que recordamos ou evocamos os preços pagos e as perdas sofridas no passado — as perdas suportadas hoje e os preços a serem pagos amanhã são os que mais incomodam e magoam. Não há sentido em comparar os sofrimentos do passado e do presente, tentando descobrir qual deles é menos suportável. Cada angústia fere e atormenta no seu próprio tempo.
Quando a qualidade o decepciona, você procura a salvação na quantidade. Quando a duração não está disponível, é a rapidez da mudança que pode redimi-lo.
É absolutamente improvável chegar ao fim de seu catálogo portátil ou digitar todas as mensagens possíveis. Há sempre mais conexões para serem usadas — e assim não tem grande importância quantas delas se tenham mostrado frágeis e passíveis de ruptura.
Dentro da rede, você pode sempre correr em busca de abrigo quando a multidão à sua volta ficar delirante demais para o seu gosto.
Aos que se mantêm à parte, os celulares permitem permanecer em contato. Aos que permanecem em contato, os celulares permitem manter-se à parte...
O fracasso no relacionamento é muito freqüentemente um fracasso na comunicação."
--
"Em nosso mundo de furiosa “individualização”, os relacionamentos são bênçãos ambíguas. Oscilam entre o sonho e o pesadelo, e não há como determinar quando um se transforma no outro.
E assim é numa cultura consumista como a nossa, que favorece o produto pronto para uso imediato, o prazer passageiro, a satisfação instantânea, resultados que não exijam esforços prolongados, receitas testadas, garantias de seguro total e devolução do dinheiro.
Sem humildade e coragem não há amor. Essas duas qualidades são exigidas, em escalas enormes e contínuas, quando se ingressa numa terra inexplorada e não-mapeada. E é a esse território que o amor conduz ao se instalar entre dois ou mais seres humanos.
"Estar num relacionamento" significa muita dor de cabeça, mas sobretudo uma incerteza permanente. Você nunca poderá estar plena e verdadeiramente seguro daquilo que faz — ou de ter feito a coisa certa ou no momento preciso.
Você busca o relacionamento na expectativa de mitigar a insegurança que infestou sua solidão; mas o tratamento só fez expandir os sintomas, e agora você talvez se sinta mais inseguro do que antes, ainda que essa "nova e agravada" insegurança provenha de outras paragens.
Quando se sentem inseguros, os amantes tendem a se portar de modo não construtivo, seja tentando agradar ou controlar, talvez até agredindo fisicamente — o que provavelmente afastará o outro ainda mais. Quando a insegurança sobe a bordo, perde-se a confiança, a ponderação e a estabilidade da navegação. À deriva, a frágil balsa do relacionamento oscila entre as duas rochas nas quais muitas parcerias esbarram: a submissão e o poder absolutos, a aceitação humilde e a conquista arrogante, destruindo a própria autonomia e sufocando a do parceiro.
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Nós pertencemos ao fluxo constante de palavras e sentenças inconclusas (abreviadas, truncadas para acelerar a circulação). Pertencemos à conversa, não àquilo sobre o que se conversa.
A introspecção é substituída por uma interação frenética e frívola que revela nossos segredos mais profundos juntamente com nossas listas de compras. (...) Se você interromper a conversa, está fora. O silêncio equivale à exclusão. De fato, 11 n'y a pas dehors du texte — não há nada fora do texto.
Para cada ganho há uma perda. Para cada realização, um preço. Não importam o horror e a repulsa com que recordamos ou evocamos os preços pagos e as perdas sofridas no passado — as perdas suportadas hoje e os preços a serem pagos amanhã são os que mais incomodam e magoam. Não há sentido em comparar os sofrimentos do passado e do presente, tentando descobrir qual deles é menos suportável. Cada angústia fere e atormenta no seu próprio tempo.
Quando a qualidade o decepciona, você procura a salvação na quantidade. Quando a duração não está disponível, é a rapidez da mudança que pode redimi-lo.
É absolutamente improvável chegar ao fim de seu catálogo portátil ou digitar todas as mensagens possíveis. Há sempre mais conexões para serem usadas — e assim não tem grande importância quantas delas se tenham mostrado frágeis e passíveis de ruptura.
Dentro da rede, você pode sempre correr em busca de abrigo quando a multidão à sua volta ficar delirante demais para o seu gosto.
Aos que se mantêm à parte, os celulares permitem permanecer em contato. Aos que permanecem em contato, os celulares permitem manter-se à parte...
O fracasso no relacionamento é muito freqüentemente um fracasso na comunicação."
1 de out. de 2012
Supernova, sem champagne e com macarons murchos
O silêncio é sempre sintomático. Pode ser de constrangimento, alegria não compartilhada, reflexão, luto, repouso, apatia, um infinito de sensações e qualidades. Em mim, agora, é uma mistura de tudo. Gasto grande parte do meu tempo e queimo sinapses vasculhando um universo impalpável e ponderando o que seria mentira, o que seria verdade, o que seria insegurança, em minha vida e na de terceiros. O quanto já não foi tramado esses dias. Aguar na bateia o que é amor, deslumbre, novidade, medo, família, fome, cansaço, memórias, lembranças, saudade... Um acúmulo de pedras brutas.
Impossível conter a explosão. O pavio ardeu durante meses, correndo a terra, desbravando novos espaços, iluminando o redor, correndo, correndo. Chegou até a enorme carga, diminuiu a velocidade, entrou, incendiou, liberou energia sob diversas formas. Impossível conter os estilhaços.
Efervescência nervosa, riso adstringente.
O que tenho a perder, agora, é de vista.
Quebra-cabeça. Somos um mar de pedrinhas emboladas, com potencial para virar uma grande, única e coesa imagem de algo bonito. Mas isso requer trabalho, empenho e dedicação.
Quero uma boa temporada, novas bases comparativas.
--
“... Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.”
“É necessário agora que eu diga que espécie de homem sou. Meu nome, não importa, nem qualquer outro pormenor exterior meu próprio. Devo falar de meu caráter. A constituição inteira de meu espírito é de hesitação e de dúvida. Nada é ou pode ser positivo para mim; todas as coisas oscilam em torno de mim, e, com elas, uma incerteza para comigo mesmo. Tudo para mim é incoerência e mudança. Tudo é mistério e tudo está cheio de significado. Todas as coisas são ‘desconhecidas’, simbólicas do desconhecido. Em conseqüência, o horror, o mistério, o medo por demais inteligente.”
FP
Impossível conter a explosão. O pavio ardeu durante meses, correndo a terra, desbravando novos espaços, iluminando o redor, correndo, correndo. Chegou até a enorme carga, diminuiu a velocidade, entrou, incendiou, liberou energia sob diversas formas. Impossível conter os estilhaços.
Efervescência nervosa, riso adstringente.
O que tenho a perder, agora, é de vista.
Quebra-cabeça. Somos um mar de pedrinhas emboladas, com potencial para virar uma grande, única e coesa imagem de algo bonito. Mas isso requer trabalho, empenho e dedicação.
Quero uma boa temporada, novas bases comparativas.
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“... Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.”
“É necessário agora que eu diga que espécie de homem sou. Meu nome, não importa, nem qualquer outro pormenor exterior meu próprio. Devo falar de meu caráter. A constituição inteira de meu espírito é de hesitação e de dúvida. Nada é ou pode ser positivo para mim; todas as coisas oscilam em torno de mim, e, com elas, uma incerteza para comigo mesmo. Tudo para mim é incoerência e mudança. Tudo é mistério e tudo está cheio de significado. Todas as coisas são ‘desconhecidas’, simbólicas do desconhecido. Em conseqüência, o horror, o mistério, o medo por demais inteligente.”
FP
21 de ago. de 2012
Das despedidas momentâneas
" (...) Mas porque eu passava o dia ao lado dos meus amigos. Juntos. Ou, como diria um amigo meu, em sueco: 'tillsammans'.
E isso é precioso demais.
O que me consola em grande parte nessa despedida é saber que eu não estou deixando para trás aquilo que me fez mais feliz nesse tempo todo.
Obrigado pela alegria de todos os dias, pelos ppt's de algumas madrugadas, pelos bolos repartidos e por ter a honra de poder aprender a trabalhar ao lado de vocês".
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Despedida de Kristen Wiig do SNL, com Mick Jagger
E isso é precioso demais.
O que me consola em grande parte nessa despedida é saber que eu não estou deixando para trás aquilo que me fez mais feliz nesse tempo todo.
Obrigado pela alegria de todos os dias, pelos ppt's de algumas madrugadas, pelos bolos repartidos e por ter a honra de poder aprender a trabalhar ao lado de vocês".
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Despedida de Kristen Wiig do SNL, com Mick Jagger
17 de ago. de 2012
Mesmo que exista outro amor que te faça feliz
Prometi que a próxima coisa que escreveria aqui seria algo feliz, como no começo do blog. Sou bom no humor (mentira, quando muito nos trocadilhos infames). Mas a pauta caiu.
Tenho vontade de, como o Super-Homem, carregar meu irmão em um braço, furar as nuvens e só descer quando tudo estiver em paz aqui no chão. Queria fazer isso para minha mãe não ser obrigada a engolir um menino tão grande para mantê-lo, novamente, seguro em sua barriga.
Com isso, fugir um pouco. Este meu confuso redor.
Frente aos 30, é tempo de não mais culpar a Providência, os reflexos, o passado. Ele, que estou aqui vasculhando para ver se entendo alguma coisa. É tempo de assumir.
Quando ainda moleque, os acordes que precediam “Games, changes and fears...”, na rouquidão suave de Macy Gray, empacotavam os ingênuos romances e seus dias nublados. Até perceber que a sequência dos versos é insolúvel: “When will they go from here, when will they stop”. Eles nunca irão, nunca cessarão. Estão em nós, a quem cabe driblar ou nutri-los.
Você foi a coisa que mais amei na vida – na vida que há –, e com quem, em igual medida, mais errei. Errei achando que tinha justificativas e que era charmoso. Errei para mascarar. Errei porque erraram, por um passado torto. Errei por não saber. Mas amar uma pessoa, depois que a paixão passa, também é entender a hora de desamarrá-la. De deixar ir, ainda que em pequenos passos, em arrepiantes fatias de desapego. E ainda não aprendi tudo. E envelheci. Você me salvou do completo amargor e de me afundar em outro rumo, por isso é e sempre será valoroso. Eu talvez deixe um legado feio, que posso melhorar um mínimo dessa forma.
Você escrevia "eu te amo" em minhas costas, com a ponta dos dedos. Jamais adivinharia se não tivesse dito. A cada toque, agora, busco uma mensagem a ser decifrada.
Amarello Amor from AMARELLO on Vimeo.
Tenho vontade de, como o Super-Homem, carregar meu irmão em um braço, furar as nuvens e só descer quando tudo estiver em paz aqui no chão. Queria fazer isso para minha mãe não ser obrigada a engolir um menino tão grande para mantê-lo, novamente, seguro em sua barriga.
Com isso, fugir um pouco. Este meu confuso redor.
Frente aos 30, é tempo de não mais culpar a Providência, os reflexos, o passado. Ele, que estou aqui vasculhando para ver se entendo alguma coisa. É tempo de assumir.
Quando ainda moleque, os acordes que precediam “Games, changes and fears...”, na rouquidão suave de Macy Gray, empacotavam os ingênuos romances e seus dias nublados. Até perceber que a sequência dos versos é insolúvel: “When will they go from here, when will they stop”. Eles nunca irão, nunca cessarão. Estão em nós, a quem cabe driblar ou nutri-los.
Você foi a coisa que mais amei na vida – na vida que há –, e com quem, em igual medida, mais errei. Errei achando que tinha justificativas e que era charmoso. Errei para mascarar. Errei porque erraram, por um passado torto. Errei por não saber. Mas amar uma pessoa, depois que a paixão passa, também é entender a hora de desamarrá-la. De deixar ir, ainda que em pequenos passos, em arrepiantes fatias de desapego. E ainda não aprendi tudo. E envelheci. Você me salvou do completo amargor e de me afundar em outro rumo, por isso é e sempre será valoroso. Eu talvez deixe um legado feio, que posso melhorar um mínimo dessa forma.
Você escrevia "eu te amo" em minhas costas, com a ponta dos dedos. Jamais adivinharia se não tivesse dito. A cada toque, agora, busco uma mensagem a ser decifrada.
Amarello Amor from AMARELLO on Vimeo.
13 de jun. de 2012
j. edgar
"Funny how even the dearest face will fade away in time. But most clearly I remember your eyes with a sort of teasing smile in them, and the feeling of that soft spot just northeast of the corner of your mouth"
12 de jun. de 2012
Primeira vez
Pela primeira vez entreguei os rascunhos, sem cópia, sem revisão, junto com minha alma. Pela primeira vez eu talvez tenha sentido tudo aquilo, implodido com todo aquele sentimento, e entregar aqueles papéis só confirma que, na verdade, os originais estão em mim.
Do último filme, em um trecho de espionagem, a ideia de que diz a verdade aquele que é capaz de contar a mesma história repetidas vezes, sem escorregar.
Seriam cinco.
Um milhão de músicas sustentam este post sobre meus alicerces abalados.
Do último filme, em um trecho de espionagem, a ideia de que diz a verdade aquele que é capaz de contar a mesma história repetidas vezes, sem escorregar.
Seriam cinco.
Um milhão de músicas sustentam este post sobre meus alicerces abalados.
1 de mai. de 2012
Sem título
Era o clima do Baile da Ilha fiscal, superlativo, abundante, cheio dos
mais diferentes tipos de pessoas. Pretenso. Um pouco de Tabacaria. Estou
hoje vencido, como se soubesse a verdade. Hoje os dois mascarados
procuram os seus namorados perguntando assim: "quem é você, diga logo,
que eu quero saber o seu jogo...". Um pouco de Eclesiastes no ritmo de
Byrds. A time to build up, a time to break down, a time to dance, a time
to mourn, a time to cast away stones. A time of love, a time of hate, a
time of war, a time of peace.
Quando não se sabe mais o que é verdade. Quando sentimentos pregam peças. Quando alguém tão íntimo vira um estranho. Os roteiristas voltaram das férias, depuseram minha pena, ataram minhas mãos e me colocaram sentado em frente a TV. O enredo fervilha. Há dezenas de personagens, não há inocência.
Come chocolates, Pequeno. Porque é chegado o tempo de curar, é chegado o fim da monarquia. Do riso alegre da carolina indo ao chão. Lá fora, amor, uma rosa morreu, uma festa acabou, nosso barco partiu.
Quando não se sabe mais o que é verdade. Quando sentimentos pregam peças. Quando alguém tão íntimo vira um estranho. Os roteiristas voltaram das férias, depuseram minha pena, ataram minhas mãos e me colocaram sentado em frente a TV. O enredo fervilha. Há dezenas de personagens, não há inocência.
Come chocolates, Pequeno. Porque é chegado o tempo de curar, é chegado o fim da monarquia. Do riso alegre da carolina indo ao chão. Lá fora, amor, uma rosa morreu, uma festa acabou, nosso barco partiu.
21 de out. de 2011
Talvez os momentos felizes estejam escondidos no passado
Fui nocauteado. Era um abraço, era afeto! Eu não tinha esse acesso. Já tive vários bons sexos, beijos, blues e poesias, mas contigo eu tive uma noite que transcendeu o vazio por milhares de quilômetros de distância de mim. Acordei atrasado, correndo. Já era hora de eu estar no trabalho, mas eu ali, dando beijos e dizendo: “Te vejo no almoço.” E assim me apaixonei. Tenho um fraco por olhos claros, paulistinhas, com cara de que a mãe fez tudo certo. Eu tenho, confesso. Não que eu tenha essa cara, você é quem tem! Você é desses que tem cara de “pai do ano”, e isso me deixa bobo, mesmo você não querendo ser pai.
Eu conheci o céu e o inferno com você, meu Deus! Foi tão pouco tempo, mas eu te dei tanto trabalho que até na próxima vida estarei em dívida contigo.
Fui amado, acolhido e confrontado pela primeira vez. E eu não pude fugir. Nunca vou esquecer você dizendo: “Eu vou fazer você se enxergar.” E fez! Eu olho para nossas memórias e vejo, através do teu doce olhar, quem eu realmente precisava ser. Você foi o cara mais incrível que eu conheci, em inúmeras, repito, inúmeras vertentes! E estou te escrevendo porque a tua voz, falando no diminutivo, do teu jeitinho, não sai da minha cabeça.
Essa é uma carta de amor, de agradecimento, de reconhecimento, de desejo de que a vida te faça feliz! Quero poder ver alguém chegar na tua vida, segurar a tua mão e não soltar! Eu quero aquela cena clichê! Eu quero chorar, eu quero ver teus lindos olhos azuis em um mar sereno, num abraço quente como o teu. Quero, de longe, assistir à tua felicidade, ver o riso verdadeiro e a alma genuinamente colorida transcender. Quero assistir ao teu romance como um filme de dois jovens de 15 anos que vão se amar até o fim da vida. Quero que ele te ame com muitos talheres, que te respeite e te admire como o homem que você é, como o amigo que todos deveriam ter. Eu quero a mega-sena do amor pra esse cara! Quero que ele te mereça!
Obrigado por ter virado, me tirado a cara de “apartamento decorado” e me feito aprender a viver.
Obrigado por me mostrar que a vida é curta demais para uma escala de cinza, que temos Keith Haring pra conhecer, que todos precisam ler “Amor Líquido” e que todo dia é um novo dia para se reencontrar.
Obrigado por ter me amado no meu momento mais frágil. E eu, imaturo, cru, magoado, despedacei você. Desculpa por não ter te merecido.
Com amor,
Xxx”
19 de ago. de 2011
Saturno
"Se faltava uma cereja, chuchu, é essa. São essas. Você tem a faca e os argumentos em mãos..."
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