14 de jul. de 2013

That was never a comedy for me


"Because I think I am an interesting woman when I look at myself on screen and I know that if I met myself at a party I’d never talk to that character because she doesn’t fulfill, physically, the demands that we’re brought up to think women have to have in order to ask them out.

There’s too many interesting women I have not had the experience to know in this life because I have been brainwashed.

And…That was never a comedy for me.”



12 de jul. de 2013

Celeste and Jesse Forever

- She’s dumb, right?
- Oh, no, not dumb. Simple.
- Simple means dumb.
- No, actually, simple in a really elegant way.
- Elegant??
- I thought you would be happy for him.
- I am, I just didn’t realize that Monica was “elegant".
- Veronica. And you know what? You would probably really like her.
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- And you’re right. Now what?
- What do you mean?
- Well, do you want to be right or do you want to be happy?
- Listen, Yoga, I don’t want to be right, I know I'm right. People will let you down and I’ve accepted that fact, but knowing that makes it impossible to be happy. But at least it’s fucking real.
- No one has ever given a more self-righteous monologue wearing only a trash bag.
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- You know what your problem is? Contempt prior to investigation.
- I'm sorry?
- You think you are smarter than everyone and that is your dark little prison.
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- I’m trying to change.
- Well, you never changed for me.
- To be honest, you didn’t really let me.
- Wow. All I did was wait for you to grow up! I rooted for you, I fucking paid for everything, I did everything for you!
- Yeah, and I was never your equal. And you know what? I think you preferred it that way.
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- It's beautiful.
- I thought you hated it.
- Yeah, well, I’ve never seen it at night.
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- You deserve to be happy. And I want that for you, always.
- Me too.
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Sometimes the end is just the beginning.
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10 de jul. de 2013

Gavetas

- Preciso dar um jeito na minha relação com você. Preciso organizar tudo esse ano.
- Esse ou este ano?
- Não estou brincado.
- Eu gosto dessa ideia de organizar tudo este ano.
- E você está na lista.
- Me organiza.

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1 de jul. de 2013

Paris-Manhattan

- E a sua loucura? Eu não sei nada sobre você. Mas ela deve ter sido muito sacana.

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- Onde você está?
- No banheiro. Por quê?
- Já leu "Belle du Seigneur"?
- Já chega, estou indo.
- Chegue logo.

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- Aos 15 anos, achava que Cole Porter era uma marca de jeans.
- Sério?
- Ele me contou a verdade.
- Que verdade?
- Aquela que se pode tocar de olhos fechados.
- Entendi.

27 de jun. de 2013

Um evento cotidiano

- Vocês ficaram noivos?!
- Sim!
- Uau! Parabéns! Quero saber a receita dessa amarração aí!
- Ih, rapaz, é muito simples. Memória fraca e muita risada. Ajuda pra caramba!

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26 de jun. de 2013

A parte mais fácil

O exercício de nos imaginarmos adultos. Tudo parece distante e, honestamente, não tão difícil de alcançar. A folha está em branco e a cabeça explode em traços e cores.

Firmei que aos trinta seria um cara casado, com carro, casa, trabalhando em um determinada empresa. A casa cheia de amigos e isso seria a plenitude. Assim pensava faz uns dez, quinze anos. Tenho a casa, o carro, trabalho nessa empresa; os amigos vêm sempre que as agendas permitem. Tive longos namoros, não me casei. Pulei um monte de etapas do plano inicial, não fiz um monte de coisas, errei bastante. Machuquei bastante. Perdi oportunidades. Viajei pra caramba. Mudei. A parte complexa acontece agora, em que estou entendendo que mudei.

Desdobrei a folha e estou olhando com olhos franzidos. Evoluir em cima dessa mesma? Rabiscar por cima de planos tão honestos e cheios de juventude? Jogar fora e pegar uma nova? "Meet me in Montauk", suspiro.

Sobre mudança e cabelos, uma vez a amiga Adília, com madeixas que concorrem como as mais elegantes do mundo, disse a receita:

"Aos 15, pinte o cabelo de azul e compre uma mochila que combine
Aos 20, esqueça o cabelo e mantenha-o amarrado num rabo de cavalo
Aos 25, faça permanente, para se despedir dos cachos
Aos 30, levante o queixo e solte as madeixas
Aos 35, corte o cabelo bem rente, pinte de cor de cobre, a correria exige coisas práticas
Aos 40, brinque de luzes, faça chapinha hoje, escova amanhã, perca tempo
Aos 45, chanel, para curtir a elegância
Aos 46, na noite de ano-novo, prometa a si mesma que não vai mais pintar o cabelo, raspe a cabeça com máquina 4 e encontre um cabeleireiro que ouse ajudar você a se reinventar…"

Eu acolhi os cachos aos 25 e levantei o queixo aos 30, questionando os fios que branqueiam em velocidade acelerada. É importante nos reinventarmos. Encontrarmos novos significados para partes, despedirmo-nos de outras, fincar algumas decisões. "To everything there is a season and a time to every purpose under heaven". Tudo bem, eu sei que sou um pouco repetitivo com esses versos.

Gostava da música dos Byrds antes mesmo de ter lido Eclesiastes. Nunca fui um menino da Bíblia, sempre fui um cara de fé.

Mas há um tempo em que um homem não é uno. Seus vícios e virtudes estão em descompasso e as mãos agem com intensidade de pés. O mundo perde as referências e, por reflexo, ele reage por acúmulo e explode. Há um tempo de entender. Há um tempo de se arrepender, refazer. Haverá a idade das coisas leves. Haverá a unidade e o amor.

Aos trinta, pegue uma garrafa de vinho, entre no metrô, desça na estação Trocadéro e peça alguém em casamento em frente à Torre Eiffel. Não interessa onde isso vá desaguar, um momento infinito terá sido vivido. Uma nova tatuagem terá sido feita. Um novo desenho adicionado na folha. Nada poderá mudar aquela pausa na existência. Mesmo que seja o tempo de encontrar outros significados e ter uma longa noite de sono para renovar os sonhos até alguma outra idade.

O cabelo, agora, está vermelho. Estou voltando de mais uma viagem. Duas, talvez, já que regresso à Terra depois de alguns dias brincando de Neil Armstrong. If you believe they put a man on the Moon.

Memórias e vontades. A página está cheia de coisas e de espaços.


21 de jun. de 2013

#VemPraRua

- O PM mais gentil das manifestações foi o que disse "espera só um pouco aí, grande" pro meu 1,70 de altura.

- "Estamos revendo Jabor, não pode Caco Barcellos. Só passa Jô Soares até segunda ordem", dizemos, a geração hostess de protesto.

- É permitido frequentar festas juninas durante a temporada de protestos?

- "Não era spray de pimenta, era água termal Vichy", justifica PM.

- Um povo herói cobrado e retumbante.

- Depois das bombas de gás vencidas e uso abusivo de spray de pimenta, PM é flagrada espirrando Karina Hair Spray em manifestantes.

- Amo demais quem fala "passeada". Essas pessoas me representam.

- Leida curandeira: cura gay em 3 dias, desfaz trabalho de obsessão, faz amarração amorosa, declaração de IR e massagem relaxante.

- O que diria Lina Bo sobre o vândalo livre do Masp?

- A gente tava chamando de baderneiro, aí descobriu que a moça Maria Baderna era a italiana musa da umbigada e migrou pros vândalos.

- "A Dilma demorar a se pronunciar sobre as manifestações é igual a rainha ter demorado a falar sobre a morte da Lady Di"

- Senti falta de 3 coisas na fala da Dilma:
1. Se ela falou só pelos R$ 0,20
2. Qual o melhor cartaz
3. Que capitulo de Game of Thrones ela tá

- O que será que Niemeyer diria do povo em cima das cumbucas dele em Brasília e disso tudo?

- Aí rolando os protestos e o Alckmin perguntou pro Haddad: "But what about us?" E ele respondeu: "We'll always have Paris"

- A gente vai pra rua pra ser um país só e volta pras redes tentando ser único, diferente, melhor que os outros.

22 de mai. de 2013

Para minha mãe

Acabei de assistir a um vídeo, por conta dos estudos, e meus olhos inundaram. O que rompeu os diques de contenção, cada vez mais frágeis após os 30, foi ver uma porção de mães falando sobre o que ninguém contou para vocês a respeito da maternidade antes de sua primeira gravidez. Loucura, mãe! Que mudança, que coisa assustadora! Para mim, que arrepio ao pensar em mudanças e novidades - e como trabalhei esses temas -, dá mais frio na barriga que a subida antes do looping da montanha-russa. Quantas coisas vocês aguentam, sorrindo, felizes da vida, mesmo com a gente reclamando feito louco.

Pois tem muitas coisas sobre as quais os filhos também não recebem instruções de uso. Embora me orgulhe demais de sua independência, fico aflito cada vez que penso em você zanzando de carro em tempos inseguros e de miopia, minha Miss Magoo.

Quando viaja, também passo horas no ar, torcendo para que bote logo os pés de volta em terra firme e comece a diversão. Se fica doente, quero correr para sua casa, cozinhar a sopinha que ensinou a mim e ao meu irmão, e tantas vezes confirmou a receita e o passo-a-passo ao telefone depois que mudamos de cidade. E cuidar, por mais que seja difícil um filho entender os tipos de cuidado que uma mãe precisa, porque nessas horas elas tendem a mentir um bocado.

Será que está comendo direito? Será que a pressão do seu olho está controlada, continua com os exercícios, não pega friagem, está dormindo bem, está feliz, não está viciada demais no Facebook, não abusa dos privilégios de quem tem mais de 60 anos? Não estou deixando a desejar no zelo por você?

Acho incrível como se atira nas coisas. O seu coração é um saco sem fundo. Cuida de mim, do Du, cuida dos hóspedes da ABOS, com sua “princesa” em merecido destaque, da tropa no trabalho, dos amigos, da família, do Teco, do papagaio, das orquídeas, ainda que você acabe vindo só depois disso tudo. Hoje, adulto - putz! -, entendo que isso é sua vida. Esse monte de pecinha é o que te compõe.

Imagino todo dia você encontrando o próximo grande amor da sua vida, fazendo uma mala e indo viajar sem rumo. Aí me dá aquele ciúme louco de filho menino! E rememoro os dias em que passei a entendê-la como mulher e a respeitá-la e admirá-la ainda mais.

Não tenho porque colocar aqui o quanto você também é geniosa, cabeça dura, birrenta. O seu signo denuncia um pedaço e o que eu puxei dessas características quase completa o quadro. E já falei um pouco disso lá no dia das mães de 2006.

Talvez eu nunca consiga agradecer e amá-la o suficiente para deixar claro e pleno em seu coração a importância de entender quem eu sou, como eu sou e estar comigo para o que der e vier, mesmo que ali nos anos 60 ou 70 algumas coisas não estivessem previstas ou sequer aparecessem em canções ou novelas, e nos seus sonhos de maternidade talvez eu e o Du fôssemos um dedinho diferentes. Se não me falham a memória e o Google, Balzac diz: “o coração das mães é um abismo no fundo do qual se encontra sempre o perdão”. Mais que isso, a compreensão, o amor, o acolhimento, a segurança.

Você nasceu para ser mãe de meninos.

A parte chata é que, quanto mais a gente cresce, menos tempo para conviver acaba tendo e mais escondemos a vontade/necessidade de colo, de bobos que viramos. Foi de você também que veio o ensinamento de que os momentos juntos, lado a lado, mesmo que poucas horas do relógio, podem ser um infinito quando estamos nos divertindo como bem sabemos fazer.

Lembra do post com a Jodie Foster, no qual falo sobre você enfrentar suas noites mais escuras para manter meus dias ensolarados? Nele ela diz para a mãe ficar tranquila, pois ela fez tudo certo na vida. Sim, está tudo certo. Sigamos aproveitando! Eu te amo, eu te amo, eu te amo.

Feliz aniversário, que Deus siga te dando uma vida repleta de bênçãos e alegrias.

--

9 de mai. de 2013

O próprio viver é morrer

- I want to be forever young
- Do you really want to live forever?
- Forever, or never
- If you stay forever, hey, we can stay forever young
- May your heart always be joyful
- May your song always be sung, may you stay forever young
- Carve your number on my wall and maybe you will get a call from me
- Instead of carving up the wall, why don’t you open up, we talk?
- I am ready for a fall
- We are ready for the floor
- I'm hoping with chance, you might take this dance

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8 de mai. de 2013

Checklist

( ) Noção de que está tudo bem com você
( ) Alegria
( ) Companhias
( ) Amigos
( ) Amores
( ) Quebradas de cara
( ) Fôlego

My heart skipped a beat.

7 de mai. de 2013

Amor numa madrugada qualquer

Estou na firma, voltando agora do curso que lota minhas noites de segunda e quarta e alguns sábados. Deveria estar pilhado refletindo sobre tudo que vi por lá, sobre os projetos e desafios. Ou sobre o incrível show dos Paralamas, que comemoraram 30 anos - meus e deles - no Rio de Janeiro e que curti com pulos adolescentes, cantando em voz alta e dançandinho com Fe Fontes até duas e tanto da madrugada. "Você não sabe quantos planos eu já fiz, tudo que eu tinha pra perder eu já perdi, o seu exército invadindo o meu país". No trabalho. No filme que assisti. Mas estou pensando no amor. Não na paixão, na conquista, no frisson, mas no amor. E pensei nele antes da aula e do show, durante a aula e o show, durante o vôo de volta, durante o trabalho, na praia, ao longo do filme, o tempo todo.

Estou na firma porque não quero o silêncio cheio de lembranças de casa. O filme está no aparelho de DVD, o bolo está em cima do fogão, com apenas uma fatia comida. O colchão branco está no chão da sala, tem bebidas na geladeira. Eu estou na firma e o lustre colorido está com suas sete lâmpadas apagadas.

Tudo já foi dito sobre o amor, é verdade. Escrito, cantado, versado, vendido, acertado, estragado, gritado, chorado, sorrido...

Ele é fogo que arde sem se ver, é líquido, impulsiona heróis, gera ridículas cartas de amor. É como ser poeta, coisa difícil de definir. "É amar-te, assim perdidamente, é seres alma e sangue e vida em mim e dizê-lo cantando a toda a gente". É rédea, é deslumbre. Não tem fim.

Eu não sabia nada sobre amor até que passei um ano olhando para meu reflexo. Um ano dolorido e sozinho. Eu sabia sobre paixão, disputas, medo, concorrência, sexo (talvez), companhia, ser deixado para trás e replicar modelos. No entanto, nunca soube o amor e o respeito. E a alegria dessa dupla.

... I watched you suffer a dull aching pain, now you decided to show me the same...”

Aí, ao fim desse ano e de uma década, eu tive um estalo. Eu me vi nos livros, nas cartas, nos poemas, filmes e tudo mais. Eu quis olhar de dentro, não com um pé no resguardo. O que, sejamos honestos, ferve a cabeça e confunde ainda mais o dia a dia.

Talvez eu até agora não saiba, ninguém nunca vá saber, mas acredito na Carolina Ferraz. Diz ela que foi um amor, um único amor que veio, cruzou sua vida, tocou sua alma e ficou marcado em sua pele. E que numa quinta-feira a tarde de um ano qualquer, tropeçamos nesse amor já supostamente esquecido e percebemos que amor igual não há, e que aquela pessoa continua e continuará a ser nossa referência afetiva mais sincera e profunda.

Marcado na pele. Elis está cantando algo semelhante ao lado deste post.

E acredito em Dante e que, ao fim de todo inferno, “do ledo céu as cousas belas, por circular aberta divisamos: saindo a ver tornamos as estrelas”.

Ele é oposto aos planos e aos portos seguros. Talvez eu esteja começando a entender o que é amar. Talvez esteja com síndrome do pânico.

O amor não é tecnologia. Sua história é batucada em uma máquina de escrever. Seu som é o de teclas, firme, lúdico, identificável, decifrável apenas se decodificado na página timbrada. O amor é o enroscar do mecanismo da máquina de escrever ao se digitar duas teclas simultaneamente. Velho, inevitável, errado e charmoso.

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Porque essa noite eu tive um pesadelo recorrente sem ter sido um mau menino.

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30 de abr. de 2013

As canções que você fez pra mim

- Ela adora um caráter jesuíta nas amizades
- Você é muito diferente, né
- Sou muito diferente. Meu caráter jesuíta não é só para amizades, é para o universo. E todos mais que houver
- (Risos) Para a galáxia
- Dou espelhos e quero devoção. E fé
- Cega
- Faca amolada
- Vaca atolada. Minha mãe cantava assim pra mim, demorei pra descobrir
- Eu demorei a saber que faca amolada não era uma faca que alguém deixou de saco cheio

24 de abr. de 2013

Bellini

O relâmpago “Je serais content quand tu seras mort” a despertou. Era o resto da fita que pusera para tocar.

Talvez por discordar do verso é que tenha conseguido voltar à consciência. “Je t'ai reçu à bras ouvert”, e de braços paralelos ao corpo seria a despedida. Aquilo fora uma construção, sufocante e linda. Este último dueto – não o fim da ópera – servira apenas para marcar na pele o início de uma ária.

Aquela foi a última vez em que se viram fisicamente. Quando conseguiu levantar da poltrona, sem saber se passou horas ou tempo demais escangalhada ali, pensou em fugir de sua própria vida e tentar algo novo e longe.

O pensamento óbvio era por onde começar. Por onde recomeçar. O que?

Jogou a comida, fria e enrugada. A comida fora sempre uma personagem coadjuvante. Lavou a louça, virou e recombinou a mobília. Abriu o armário do quarto. Os melhores textos foram no baú que ele mandou buscar dias antes. Sem rascunhos. As roupas foram na primeira mala. Lembrava-se da blusa listrada, com furos para os dedos. Pela foto imortalizada digitalmente, talvez. De resto não tinha memória exata.

Espreguiçou-se e resolveu ficar. Andar.

Por mais que fugisse, tocasse fogo na casa, corresse, é certo que carregaria aquela construção consigo. A cabeça não poderia ser renovada ou deixada no passado, estava pregada ao corpo e era muito mais rápida e honesta que o desejável para o tempo. Os tijolos e telhas seriam pesados demais e os alicerces teriam que ficar para trás.

Mudou alguns hábitos.

Teve outros amores, nunca acreditou em apenas um. Do terceiro trazia a agonia de nunca tê-lo deixado passar do tapete da porta de entrada. Do quinto, uma sensação morna. Do sexto, a retomada da sensação de beleza e segurança. Perdeu as contas. Não por serem muitos, mas por serem outros.

Tê-lo como seu nunca mais era o que menos lhe azedava a boca. Tê-lo como uma bruma envolvendo a estrada e obrigando a transitar sempre devagar e com atenção é que empapuçava. Já sabia que ele não era a personificação da beleza e alegria, tal qual Tadzio, mas ainda não sabia como não tropeçar em um narcísico fim similar ao de Aschenbach. A morte pelo desejo do reflexo.

Tantos anos que perdeu tentando ser o filme, quando poderia ser a trilha sonora. Esta ária era para que ela aprendesse sobre ela mesma! Obrigada a assumir. Pediu, em sua mente, algumas desculpas. Ah, como se arrependeu de coisas...

Ele e ela trocaram mensagens, algumas mais que amenas. Cartas íntimas. Ela conversava com os filmes. Foram desconhecendo-se em um terreno de intimidade que espectadores jamais entenderiam e julgavam a todo tempo. Ela mantinha poucos amigos.

O que ele estaria fazendo enquanto ela escrevia? O que ela fez enquanto ele assistiu ao filme do qual cita um trecho na última carta? Por que não podemos ser amigos, ele pergunta? Porque nunca fomos, responde a tela. Qual lugar mais teria gostado de conhecer? Com quem comentar coisas cotidianas? Seu toque fora superado? Esquecido?!

Descontou no cartão de crédito a ausência de uma companhia com quem fazer planos em conjunto. Tempo.

Um dia pendurou-se na escada, sacudiu o corpo, como quem dança ao balançar suspenso pelos braços, soltou um sorriso tímido, de cantinho. Era um passo. A névoa começava a orvalhar.

A vida possui mais fantasmas que nossos sonhos.

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"É como se eu não te convidasse pra festa, e mesmo assim ficasse bravo por você não ir."

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Este post é uma continuação de "A vida em preto e branco"

10 de abr. de 2013

Cinco maiores arrependimentos antes de morrer

#1. "Eu gostaria de ter tido coragem de viver uma vida fiel a mim mesmo, e não a vida que os outros esperavam de mim."

#2. "Eu gostaria de não ter trabalhado tanto."

#3. "Eu gostaria de ter tido coragem de expressar meus sentimentos."

#4. "Eu gostaria de ter mantido contato com meus amigos."

#5. "Eu gostaria de ter me deixado ser mais feliz."

13 de mar. de 2013

Para brincar na gangorra: dois

- Te odeio.
- Por que, agora?
- Não, acho que desde sempre. Desde aquele dia em que você me pegou em casa, me tirou de casa, desde o dia em que nos beijamos no balanço do parquinho.
- Grandes ódios nascem assim, de tardes lindas e incríveis.
- Nascem e permanecem, guardados na dúvida, na esperança, na espera, na incerteza, no convívio casual.
- Não, quem nasce assim somos nós. Eu só estava sendo irônico. Os sentimentos, diria o clássico, nascem da insustentável leveza do ser. Do bonito, do incerto, do querer, do tocar. Aí a gente joga farinha, medo e vaidade, amassa tudo e embatuma.
- Também.
- Sempre te quis bem, mesmo quando brincamos na gangorra do parquinho.
- Eu quero.
- Chega de farinha, podemos ser carolinas?
- Podemos ser tudo e qualquer coisa, juntos.
- Todas as duplas, todas as combinações? Gosto das suas certezas frente a todo meu forro de gesso.
- Todas as possibilidades frente ao primeiro - do não primeiro - encontro.
- Desencontro. Desencanto. E meu vazio?
- Cheio de tudo de mim.

11 de mar. de 2013

Rede de Parceiros

Nunca escrevi um e-mail de despedida ao sair das empresas em que trabalhei. Rascunhei, agendei horário de envio, inseri os endereços das pessoas, mas nunca apertei enviar. Tudo por simbolismo, talvez. Não gostaria de encerrar nada ali. Queria carregar comigo os bons momentos, as pessoas que transpassaram minha vida além do profissional, o quanto aprendi e cresci em cada um desses lugares, o quanto me diverti, o quanto não me arrependi por ter seguido meus instintos na carreira. Ou o quanto aquilo foi chato pra caramba, sejamos honestos.

E ainda que seja um adulto_profissional, com Linkedin, carteira assinada, responsabilidades e obrigações, nada disso interessa ou conta quando nos pegamos fantasiando nossas vidas, como fossem os dias um perfeito roteiro, com o melhor dos finais. Minha passagem pela área de parcerias foi um pouco assim. O convite era para assumir uma área “cansada”, a qual não sabiam muito bem para onde apontar. Vim imaginando que seria um grande pepino e que teria uma porção de problemas. Longe disso.

Tive pouco a ensinar. A maior parte de meus quase dois anos aqui foi tentar extrair de cada um de vocês um potencial esmorecido pelo histórico. Vocês sabiam muito bem o tamanho de cada um, o espaço e especialidade de cada um e como fazer com isso uma trama firme, uma equipe coesa e que sabe trabalhar e encontrar saídas para as mais diversas situações, com pouca margem de manobra. E quem foi chegando logo percebeu esse perfil e soube se posicionar, agregar e entender que é parte fundamental do trabalho dos demais. E crescemos.

Aprendi muitíssimo. A ter uma equipe, o que refletir, o que absorver, o que é lealdade, honestidade e o real sentido de um time e trabalhar junto para um objetivo comum. Pude contar com vocês em todos os momentos. Imagino serem raros os “chefes” que nunca se sentiram desamparados ou “na mão” um dia sequer durante mais de um ano de trabalho em grupo.

Que nos cruzemos outras vezes pelo mundo profissional, como chefes, chefiados ou pares, que suas carreiras sejam alegres e abençoadas.  =)

Obrigado.

28 de fev. de 2013

Moonrise Kingdom

- Why do you always use binoculars?
- It helps me see things closer. Even if they're not very far away. I pretend it's my magic power.
- That sounds like poetry. Poems don't always have to rhyme, you know. They're just supposed to be creative.

--

- I'm sorry, Walt.
- It's not your fault. Which injuries are you apologizing for, specifically?
- Specifically? Whichever ones still hurt.
- Half of those were self-inflicted.

--

- I love you, but you don't know what you're talking about.
- I love you too.


--

Das vontades de uma fuga em um universo pequeno e infinito, em tons saturados. Uma dança sem pé nem cabeça, de roupas de baixo, na areia da praia. Dormir ao som daquela voz lendo aos seus ouvidos. A vida em um mala, uma mala para encontrar a vida.

Hoje tive dois momentos para notar como nossa existência vai se refazendo. A seu tempo, não ao tempo de nossa pressa. Em uma intrincada arqueologia, escavando os campos do coração e cabeça, sem que parem sístole, diástole e sinapses, selecionando o que se restaura, o que se reconstrói, o que se descarta e buscando algumas tímidas peças para o Museu de Grandes Novidades. 

27 de fev. de 2013

Aquário - Dreams of visions

"A quadratura entre a Lua e Plutão pode fazer você avaliar de uma forma muito dura as possíveis falhas no seu conhecimento e na sua cultura. Em vez de tentar disfarçar a insegurança, faça perguntas. E dê aos outros, e a você mesmo, a permissão para não saber tudo. Você pode sentir uma atração muito grande por qualquer coisa que seja capaz de mudar radicalmente a rotina do dia a dia. Planeje as mudanças com cuidado."