O relâmpago “Je serais content quand tu seras mort” a despertou. Era o resto da fita que pusera para tocar.
Talvez por discordar do verso é que tenha conseguido voltar à consciência. “Je t'ai reçu à bras ouvert”, e de braços paralelos ao corpo seria a despedida. Aquilo fora uma construção, sufocante e linda. Este último dueto – não o fim da ópera – servira apenas para marcar na pele o início de uma ária.
Aquela foi a última vez em que se viram fisicamente. Quando conseguiu levantar da poltrona, sem saber se passou horas ou tempo demais escangalhada ali, pensou em fugir de sua própria vida e tentar algo novo e longe.
O pensamento óbvio era por onde começar. Por onde recomeçar. O que?
Jogou a comida, fria e enrugada. A comida fora sempre uma personagem coadjuvante. Lavou a louça, virou e recombinou a mobília. Abriu o armário do quarto. Os melhores textos foram no baú que ele mandou buscar dias antes. Sem rascunhos. As roupas foram na primeira mala. Lembrava-se da blusa listrada, com furos para os dedos. Pela foto imortalizada digitalmente, talvez. De resto não tinha memória exata.
Espreguiçou-se e resolveu ficar. Andar.
Por mais que fugisse, tocasse fogo na casa, corresse, é certo que carregaria aquela construção consigo. A cabeça não poderia ser renovada ou deixada no passado, estava pregada ao corpo e era muito mais rápida e honesta que o desejável para o tempo. Os tijolos e telhas seriam pesados demais e os alicerces teriam que ficar para trás.
Mudou alguns hábitos.
Teve outros amores, nunca acreditou em apenas um. Do terceiro trazia a agonia de nunca tê-lo deixado passar do tapete da porta de entrada. Do quinto, uma sensação morna. Do sexto, a retomada da sensação de beleza e segurança. Perdeu as contas. Não por serem muitos, mas por serem outros.
Tê-lo como seu nunca mais era o que menos lhe azedava a boca. Tê-lo como uma bruma envolvendo a estrada e obrigando a transitar sempre devagar e com atenção é que empapuçava. Já sabia que ele não era a personificação da beleza e alegria, tal qual Tadzio, mas ainda não sabia como não tropeçar em um narcísico fim similar ao de Aschenbach. A morte pelo desejo do reflexo.
Tantos anos que perdeu tentando ser o filme, quando poderia ser a trilha sonora. Esta ária era para que ela aprendesse sobre ela mesma! Obrigada a assumir. Pediu, em sua mente, algumas desculpas. Ah, como se arrependeu de coisas...
Ele e ela trocaram mensagens, algumas mais que amenas. Cartas íntimas. Ela conversava com os filmes. Foram desconhecendo-se em um terreno de intimidade que espectadores jamais entenderiam e julgavam a todo tempo. Ela mantinha poucos amigos.
O que ele estaria fazendo enquanto ela escrevia? O que ela fez enquanto ele assistiu ao filme do qual cita um trecho na última carta? Por que não podemos ser amigos, ele pergunta? Porque nunca fomos, responde a tela. Qual lugar mais teria gostado de conhecer? Com quem comentar coisas cotidianas? Seu toque fora superado? Esquecido?!
Descontou no cartão de crédito a ausência de uma companhia com quem fazer planos em conjunto. Tempo.
Um dia pendurou-se na escada, sacudiu o corpo, como quem dança ao balançar suspenso pelos braços, soltou um sorriso tímido, de cantinho. Era um passo. A névoa começava a orvalhar.
A vida possui mais fantasmas que nossos sonhos.
--
"É como se eu não te convidasse pra festa, e mesmo assim ficasse bravo por você não ir."
--
Este post é uma continuação de "A vida em preto e branco"
24 de abr. de 2013
12 de abr. de 2013
10 de abr. de 2013
Cinco maiores arrependimentos antes de morrer
#1. "Eu gostaria de ter tido coragem de viver uma vida fiel a mim mesmo, e não a vida que os outros esperavam de mim."
#2. "Eu gostaria de não ter trabalhado tanto."
#3. "Eu gostaria de ter tido coragem de expressar meus sentimentos."
#4. "Eu gostaria de ter mantido contato com meus amigos."
#5. "Eu gostaria de ter me deixado ser mais feliz."
#2. "Eu gostaria de não ter trabalhado tanto."
#3. "Eu gostaria de ter tido coragem de expressar meus sentimentos."
#4. "Eu gostaria de ter mantido contato com meus amigos."
#5. "Eu gostaria de ter me deixado ser mais feliz."
13 de mar. de 2013
Para brincar na gangorra: dois
- Te odeio.
- Por que, agora?
- Não, acho que desde sempre. Desde aquele dia em que você me pegou em casa, me tirou de casa, desde o dia em que nos beijamos no balanço do parquinho.
- Grandes ódios nascem assim, de tardes lindas e incríveis.
- Nascem e permanecem, guardados na dúvida, na esperança, na espera, na incerteza, no convívio casual.
- Não, quem nasce assim somos nós. Eu só estava sendo irônico. Os sentimentos, diria o clássico, nascem da insustentável leveza do ser. Do bonito, do incerto, do querer, do tocar. Aí a gente joga farinha, medo e vaidade, amassa tudo e embatuma.
- Também.
- Sempre te quis bem, mesmo quando brincamos na gangorra do parquinho.
- Eu quero.
- Chega de farinha, podemos ser carolinas?
- Podemos ser tudo e qualquer coisa, juntos.
- Todas as duplas, todas as combinações? Gosto das suas certezas frente a todo meu forro de gesso.
- Todas as possibilidades frente ao primeiro - do não primeiro - encontro.
- Desencontro. Desencanto. E meu vazio?
- Cheio de tudo de mim.
- Por que, agora?
- Não, acho que desde sempre. Desde aquele dia em que você me pegou em casa, me tirou de casa, desde o dia em que nos beijamos no balanço do parquinho.
- Grandes ódios nascem assim, de tardes lindas e incríveis.
- Nascem e permanecem, guardados na dúvida, na esperança, na espera, na incerteza, no convívio casual.
- Não, quem nasce assim somos nós. Eu só estava sendo irônico. Os sentimentos, diria o clássico, nascem da insustentável leveza do ser. Do bonito, do incerto, do querer, do tocar. Aí a gente joga farinha, medo e vaidade, amassa tudo e embatuma.
- Também.
- Sempre te quis bem, mesmo quando brincamos na gangorra do parquinho.
- Eu quero.
- Chega de farinha, podemos ser carolinas?
- Podemos ser tudo e qualquer coisa, juntos.
- Todas as duplas, todas as combinações? Gosto das suas certezas frente a todo meu forro de gesso.
- Todas as possibilidades frente ao primeiro - do não primeiro - encontro.
- Desencontro. Desencanto. E meu vazio?
- Cheio de tudo de mim.
11 de mar. de 2013
Rede de Parceiros
Nunca escrevi um e-mail de despedida ao sair das empresas em que trabalhei. Rascunhei, agendei horário de envio, inseri os endereços das pessoas, mas nunca apertei enviar. Tudo por simbolismo, talvez. Não gostaria de encerrar nada ali. Queria carregar comigo os bons momentos, as pessoas que transpassaram minha vida além do profissional, o quanto aprendi e cresci em cada um desses lugares, o quanto me diverti, o quanto não me arrependi por ter seguido meus instintos na carreira. Ou o quanto aquilo foi chato pra caramba, sejamos honestos.
E ainda que seja um adulto_profissional, com Linkedin, carteira assinada, responsabilidades e obrigações, nada disso interessa ou conta quando nos pegamos fantasiando nossas vidas, como fossem os dias um perfeito roteiro, com o melhor dos finais. Minha passagem pela área de parcerias foi um pouco assim. O convite era para assumir uma área “cansada”, a qual não sabiam muito bem para onde apontar. Vim imaginando que seria um grande pepino e que teria uma porção de problemas. Longe disso.
Tive pouco a ensinar. A maior parte de meus quase dois anos aqui foi tentar extrair de cada um de vocês um potencial esmorecido pelo histórico. Vocês sabiam muito bem o tamanho de cada um, o espaço e especialidade de cada um e como fazer com isso uma trama firme, uma equipe coesa e que sabe trabalhar e encontrar saídas para as mais diversas situações, com pouca margem de manobra. E quem foi chegando logo percebeu esse perfil e soube se posicionar, agregar e entender que é parte fundamental do trabalho dos demais. E crescemos.
Aprendi muitíssimo. A ter uma equipe, o que refletir, o que absorver, o que é lealdade, honestidade e o real sentido de um time e trabalhar junto para um objetivo comum. Pude contar com vocês em todos os momentos. Imagino serem raros os “chefes” que nunca se sentiram desamparados ou “na mão” um dia sequer durante mais de um ano de trabalho em grupo.
Que nos cruzemos outras vezes pelo mundo profissional, como chefes, chefiados ou pares, que suas carreiras sejam alegres e abençoadas. =)
Obrigado.
E ainda que seja um adulto_profissional, com Linkedin, carteira assinada, responsabilidades e obrigações, nada disso interessa ou conta quando nos pegamos fantasiando nossas vidas, como fossem os dias um perfeito roteiro, com o melhor dos finais. Minha passagem pela área de parcerias foi um pouco assim. O convite era para assumir uma área “cansada”, a qual não sabiam muito bem para onde apontar. Vim imaginando que seria um grande pepino e que teria uma porção de problemas. Longe disso.
Tive pouco a ensinar. A maior parte de meus quase dois anos aqui foi tentar extrair de cada um de vocês um potencial esmorecido pelo histórico. Vocês sabiam muito bem o tamanho de cada um, o espaço e especialidade de cada um e como fazer com isso uma trama firme, uma equipe coesa e que sabe trabalhar e encontrar saídas para as mais diversas situações, com pouca margem de manobra. E quem foi chegando logo percebeu esse perfil e soube se posicionar, agregar e entender que é parte fundamental do trabalho dos demais. E crescemos.
Aprendi muitíssimo. A ter uma equipe, o que refletir, o que absorver, o que é lealdade, honestidade e o real sentido de um time e trabalhar junto para um objetivo comum. Pude contar com vocês em todos os momentos. Imagino serem raros os “chefes” que nunca se sentiram desamparados ou “na mão” um dia sequer durante mais de um ano de trabalho em grupo.
Que nos cruzemos outras vezes pelo mundo profissional, como chefes, chefiados ou pares, que suas carreiras sejam alegres e abençoadas. =)
Obrigado.
28 de fev. de 2013
Moonrise Kingdom
- Why do you always use binoculars?
- It helps me see things closer. Even if they're not very far away. I pretend it's my magic power.
- That sounds like poetry. Poems don't always have to rhyme, you know. They're just supposed to be creative.
--
- I'm sorry, Walt.
- It's not your fault. Which injuries are you apologizing for, specifically?
- Specifically? Whichever ones still hurt.
- Half of those were self-inflicted.
--
- I love you, but you don't know what you're talking about.
- I love you too.
--
Das vontades de uma fuga em um universo pequeno e infinito, em tons saturados. Uma dança sem pé nem cabeça, de roupas de baixo, na areia da praia. Dormir ao som daquela voz lendo aos seus ouvidos. A vida em um mala, uma mala para encontrar a vida.
Hoje tive dois momentos para notar como nossa existência vai se refazendo. A seu tempo, não ao tempo de nossa pressa. Em uma intrincada arqueologia, escavando os campos do coração e cabeça, sem que parem sístole, diástole e sinapses, selecionando o que se restaura, o que se reconstrói, o que se descarta e buscando algumas tímidas peças para o Museu de Grandes Novidades.
- It helps me see things closer. Even if they're not very far away. I pretend it's my magic power.
- That sounds like poetry. Poems don't always have to rhyme, you know. They're just supposed to be creative.
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- I'm sorry, Walt.
- It's not your fault. Which injuries are you apologizing for, specifically?
- Specifically? Whichever ones still hurt.
- Half of those were self-inflicted.
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- I love you, but you don't know what you're talking about.
- I love you too.
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Das vontades de uma fuga em um universo pequeno e infinito, em tons saturados. Uma dança sem pé nem cabeça, de roupas de baixo, na areia da praia. Dormir ao som daquela voz lendo aos seus ouvidos. A vida em um mala, uma mala para encontrar a vida.
Hoje tive dois momentos para notar como nossa existência vai se refazendo. A seu tempo, não ao tempo de nossa pressa. Em uma intrincada arqueologia, escavando os campos do coração e cabeça, sem que parem sístole, diástole e sinapses, selecionando o que se restaura, o que se reconstrói, o que se descarta e buscando algumas tímidas peças para o Museu de Grandes Novidades.
27 de fev. de 2013
Aquário - Dreams of visions
"A quadratura entre a Lua e Plutão pode fazer você avaliar de uma forma muito dura as possíveis falhas no seu conhecimento e na sua cultura. Em vez de tentar disfarçar a insegurança, faça perguntas. E dê aos outros, e a você mesmo, a permissão para não saber tudo. Você pode sentir uma atração muito grande por qualquer coisa que seja capaz de mudar radicalmente a rotina do dia a dia. Planeje as mudanças com cuidado."
20 de fev. de 2013
Looper
- Bonjour, Joe.
- Bonjour, Beatrix.
- How's the French?
- Slow. How's the coffee?
- Burnt.
--
" 'O amor acaba', disse Paulo Mendes Campos, em sua crônica mais bonita; só não disse o que fica no lugar. É na esperança, talvez, de entender essa estranha melancolia, esse vazio preenchido por boas lembranças e algumas cicatrizes, que nos encontramos a cada ano ou dois".
- Bonjour, Beatrix.
- How's the French?
- Slow. How's the coffee?
- Burnt.
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" 'O amor acaba', disse Paulo Mendes Campos, em sua crônica mais bonita; só não disse o que fica no lugar. É na esperança, talvez, de entender essa estranha melancolia, esse vazio preenchido por boas lembranças e algumas cicatrizes, que nos encontramos a cada ano ou dois".
13 de fev. de 2013
O que leva um dia até outro dia
Eu nasci apressado em uma quarta-feira de cinzas. Eu sou um pouco quarta-feira de cinzas - a Marcha da Quarta-feira de Cinzas -, característica que tatuei na panturrilha esquerda. Solidões e eterna sensação de fim. Não sei se isso está mudando com a idade ou se estou passando a entender melhor.
Aproveito a sensação para pegar meu caderno de rascunhos e a caixa de lembranças. Estranho vasculhar dentro da gente. Quem fomos, o que somos, o que planejamos, o que aconteceu. Algumas frases ainda fazem sentido, soam, quem sabe, como uma mensagem enviada ao futuro. Passo a vasculhar memórias digitais. Há um post de setembro de 2004 com uma foto do prédio da firma e a legenda: “Quem sabe um dia”. Este, agora. Estão ali grandes amores, grandes momentos. Encenação, também. Escolhas. Muita coisa mudou, dentro e ao redor, mas ainda sou um menino (menino?) das mesmas músicas, dos mesmos poemas, das mesmas besteiras.
Na véspera desta quarta, cheguei em casa um pouco mais tarde do que planejei. Carnaval por todas as ruas, por todas as pessoas, diversão obrigatoriamente imensa. As coisas estavam em silêncio e, estranhamente, não liguei a TV ao entrar, gesto praticamente automático. Subi lentamente as escadas, tomei banho, organizei algumas coisas e roupas. Durante esse ritual, sussurrei a música "The Parting Glass". Não sei o que ela fazia em minha cabeça após tantas marchinhas, sambas e axés. O tom talvez fosse um pouco mais melancólico que o desejável para a data.
A primeira vez que ouvi essa canção foi em um seriado, durante uma cena em que uma família se despede da sede de seus negócios, que chegam ao fim. Apagam as luzes, uma a uma, desejam boa noite à empresa. Não se despedem uns dos outros, mas do lugar. Do tempo. Muitos simbolismos para ilustrar um daqueles raros momentos em que temos a consciência de que as coisas não mais serão as mesmas. Podem ser melhores, mas certamente mudarão.
Ouço "The Parting Glass", três versões diferentes. Encontro a cena do seriado. O sono, tão raro, veio. E a calma. Apaguei as luzes, desejei boa noite. Este talvez seja um desses momentos.
Eu comecei em uma quarta-feira de cinzas.
Eu comecei em uma quarta-feira de cinzas.
“E no entanto é preciso cantar
Mais que nunca é preciso cantar (...)
Porque são tantas coisas azuis
Há tão grandes promessas de luz
Tanto amor para amar de que a gente nem sabe”
Mais que nunca é preciso cantar (...)
Porque são tantas coisas azuis
Há tão grandes promessas de luz
Tanto amor para amar de que a gente nem sabe”
--
12 de fev. de 2013
Like Crazy
"I just have to say this one thing, and it's really important that you listen to me. It just doesn't feel like this thing is ever gonna go away. It's always there. I can't get on with my life. The things that we have with each other, I don't have with any other person, with any other human being."
--
Dos filmes do carnaval.
--
Dos filmes do carnaval.
7 de fev. de 2013
Mr. Gorbachev, tear down this wall
- What do I do when my love is away?
- Does it worry you to be alone?
- How do I feel by the end of the day?
- Are you sad because you're on your own?
- No, I get by, high, gonna try with a little help from my friends.
- Do you need anybody?
- I need somebody to love.
- Could it be anybody?
- I want somebody to love.
- Would you believe in a love at first sight?
- Yes, I'm certain that it happens all the time.
- What do you see when you turn out the light?
- I can't tell you, but I know it's mine.
--
- Does it worry you to be alone?
- How do I feel by the end of the day?
- Are you sad because you're on your own?
- No, I get by, high, gonna try with a little help from my friends.
- Do you need anybody?
- I need somebody to love.
- Could it be anybody?
- I want somebody to love.
- Would you believe in a love at first sight?
- Yes, I'm certain that it happens all the time.
- What do you see when you turn out the light?
- I can't tell you, but I know it's mine.
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31 de jan. de 2013
A small voice said "resist"
- Upon my heart: just one slow dance, I'll rescue you
- American Pie: can you teach me how to dance real slow?
I knew if I had my chance that I could make those people dance and maybe they'd be happy for a while…
--
- American Pie: can you teach me how to dance real slow?
I knew if I had my chance that I could make those people dance and maybe they'd be happy for a while…
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30 de jan. de 2013
Não vá ainda
- Não vai. Espera amanhecer. Não é isso que diz aquela música?
- É espera anoitecer. A noite é linda, me espera adormecer. Risos.
- Já está noite. Linda. Tanto melhor.
- Mas preciso...
- Ainda tem tanta novidade pra gente caçar.
- Talvez eu esteja cansado...
- Talvez você esteja fugindo.
- Talvez eu esteja inventando.
- Talvez você esteja machucado.
- Só o tempo, não?
- O remédio está aí dentro. Aí, ó. Não desconta no tempo.
- Descontar?!
- Vem logo. O novo acelera, se seu problema é o tempo.
- Tenho medo do novo, tenho medo do passar do tempo.
- Fecha os olhos, então. Te levo pela mão e vou contando, até que você não resista a espiar com esses olhos esbugalhados.
- É espera anoitecer. A noite é linda, me espera adormecer. Risos.
- Já está noite. Linda. Tanto melhor.
- Mas preciso...
- Ainda tem tanta novidade pra gente caçar.
- Talvez eu esteja cansado...
- Talvez você esteja fugindo.
- Talvez eu esteja inventando.
- Talvez você esteja machucado.
- Só o tempo, não?
- O remédio está aí dentro. Aí, ó. Não desconta no tempo.
- Descontar?!
- Vem logo. O novo acelera, se seu problema é o tempo.
- Tenho medo do novo, tenho medo do passar do tempo.
- Fecha os olhos, então. Te levo pela mão e vou contando, até que você não resista a espiar com esses olhos esbugalhados.
29 de jan. de 2013
Sobre o que é o amor, sobre o que eu nem sei quem sou
Da Folha de S. Paulo / NYT
(...) Criados na era do "ficar", os jovens da geração do milênio (também conhecidos como geração Y), que agora estão começando a pensar em se assentar, vêm subvertendo as regras da sedução.
(...) Eles entram em contato por mensagens de texto, posts no Facebook, MSN ou semelhantes e outras formas de "não encontros". Tudo isso vem deixando uma geração que não sabe como conseguir um namorado ou uma namorada.
"O novo encontro não é um encontro, é passar tempo juntos", comentou Denise Hewett, 24, produtora de TV em Nova York que está criando um seriado sobre essa nova paisagem romântica. Como um amigo lhe disse: "Não gosto de levar uma garota para sair. Gosto que ela me encontre em alguma coisa que estou fazendo - ir a um evento, um show, por exemplo".
(...) O problema, disse ela, é que "os jovens de hoje não sabem o que fazer além de 'ficar'.
(...) Para fazer a corte a alguém do modo tradicional - ou seja, pegar o telefone e convidar a pessoa para sair - era preciso coragem, planejamento e um investimento considerável de ego (uma rejeição ouvida pelo telefone dói).
Não é o caso com as mensagens de texto, os e-mails, o Twitter. (...) No contexto do relacionamento, esses tipos de comunicação dispensam o charme, em grande medida.
Diante de um fluxo interminável de solteiros entre os quais escolher nos sites de encontros on-line, muitas pessoas têm medo de estar perdendo alguma coisa interessante, então optam pela abordagem "speed-dating" - ou seja, passam rapidamente por grande número de pretendentes. (...)
"É como jogar dardos contra um alvo", disse Joshua Sky, 26, coordenador de "branding" em Manhattan. "Alguma hora uma das setas vai grudar no alvo."
Há outra razão que explica por que os encontros à moda tradicional tornaram-se obsoletos. Se o objetivo do primeiro encontro era saber um pouco sobre as origens do pretendente, seu grau de instrução, suas tendências políticas e seus gostos, hoje o Google e o Facebook cuidam de tudo isso. (...)
Matéria completa: Jovens subvertem regras da sedução com 'não encontros'
(...) Criados na era do "ficar", os jovens da geração do milênio (também conhecidos como geração Y), que agora estão começando a pensar em se assentar, vêm subvertendo as regras da sedução.
(...) Eles entram em contato por mensagens de texto, posts no Facebook, MSN ou semelhantes e outras formas de "não encontros". Tudo isso vem deixando uma geração que não sabe como conseguir um namorado ou uma namorada.
"O novo encontro não é um encontro, é passar tempo juntos", comentou Denise Hewett, 24, produtora de TV em Nova York que está criando um seriado sobre essa nova paisagem romântica. Como um amigo lhe disse: "Não gosto de levar uma garota para sair. Gosto que ela me encontre em alguma coisa que estou fazendo - ir a um evento, um show, por exemplo".
(...) O problema, disse ela, é que "os jovens de hoje não sabem o que fazer além de 'ficar'.
(...) Para fazer a corte a alguém do modo tradicional - ou seja, pegar o telefone e convidar a pessoa para sair - era preciso coragem, planejamento e um investimento considerável de ego (uma rejeição ouvida pelo telefone dói).
Não é o caso com as mensagens de texto, os e-mails, o Twitter. (...) No contexto do relacionamento, esses tipos de comunicação dispensam o charme, em grande medida.
Diante de um fluxo interminável de solteiros entre os quais escolher nos sites de encontros on-line, muitas pessoas têm medo de estar perdendo alguma coisa interessante, então optam pela abordagem "speed-dating" - ou seja, passam rapidamente por grande número de pretendentes. (...)
"É como jogar dardos contra um alvo", disse Joshua Sky, 26, coordenador de "branding" em Manhattan. "Alguma hora uma das setas vai grudar no alvo."
Há outra razão que explica por que os encontros à moda tradicional tornaram-se obsoletos. Se o objetivo do primeiro encontro era saber um pouco sobre as origens do pretendente, seu grau de instrução, suas tendências políticas e seus gostos, hoje o Google e o Facebook cuidam de tudo isso. (...)
Matéria completa: Jovens subvertem regras da sedução com 'não encontros'
28 de jan. de 2013
Janeiro
Até o meio da adolescência olhava para o Rio com a cara amarrada. Eram memórias dos tempos da separação de meus pais, a idéia de violência, a resistência com o sal e a areia. Até que, nas catracas do metrô de São Paulo, dei um passo na direção contrária e voltei a calçar meus chinelos e fazer uma pequena mala.
Gabriel me fez entender a vida no Rio, os cariocas e seu abraço. Nossos dias na Tijuca ainda tinham muito dessas linhas que escrevi acima, mas foi o começo do desmanchar. Foi o tempo da cidade, não da praia. Scrumble, Gummy, comida da Tia Wanda, família, flauta transversa e passeios alternativíssimos para o Lucasof de então. A Floresta da Tijuca de All Star, foto lá no topo e bolhas nos pés. Os amigos, a faculdade, a estação Saens Peña e a praça Varnhagen, que o sotaque transformava em algo engraçado. As despedidas. "A onda ainda quebra na praia, espumas se misturam com o vento", canta Lenine quando rememoro.
Thais, a superlativa Thata, que define o Rio como "o mar, quatro quadras e uma enorme pedra", quando fomos juntos à um casamento, me fez voltar a pisar a areia, comer empada dos vendedores ambulantes, ouvir a música que entoam para vender mate, sanduíche natural, biscoito Globo. Entrar no mar, sorrir para o sol, caminhar sem rumo, sem porquê, feliz.
Com o Caio foram dias que alguns posts anteriores sintetizam melhor do que poderia fazer neste texto. Foram lindos. Foram tantas regatas e caipirinhas na praia, lanches no quarto do hotel. Shopping, claro, porque somos paulistas. As caminhadas no calçadão, ainda que trôpegas, poderiam ser uma gravação de videoclipe para música de Avril, que perseguimos e assustamos. A graça de um macaquinho comendo bolacha no caminho para o Cristo e seus incansáveis braços erguidos. E, asseguro, as memórias todas ainda estão lá. Acabei de conferir. As melhores, as coradas, sustentadas por muita isca de peixe. As outras, nubladas, choveram, permearam a areia e refizeram-se.
Bethânia declama o lado que menos visito, mas a aura do todo. “Foi Copacabana quem me recebeu, com seu cheiro de batata-frita e gasolina, suas tardes de raios e trovões inesperados e as suas noites inesquecíveis, mágicas”. O botão "stop" apertado na década de 1970.
Toda ida para lá carrega comigo um pouco de angústia; desafiar minha inerente solidão, o nada do mundo de História Sem Fim. Passa ao desembarcar, porque sei que ali existe alegria e calor. Em vez de Fantasia se desfazendo, é Pleasantville ganhando cores. Technicolor. São todas as músicas já compostas.
Por entre túneis escuros, ruas decadentes, casarões esfarelando, morros e artérias vermelha e amarela chega-se a visuais incríveis. São caminhos. Passagens.
O Rio e eu estamos constantemente fazendo as pazes, melancólicos como a voz de Johnny Cash. Pedindo um ao outro 'perdão pela duração dessa temporada, dizendo pros da pesada que vamos levando'.
Agora, cercado de amigos das mais diversas origens e corações, junto mais uma porção de lembranças sobre a cidade. Fe Fontes regeu esses dias com seu encanto que transborda. Lets e seu sorrisão atravessaram comigo a avenida atrás do bloco de carnaval, embaixo da chuva, depois de muito sol. É assim, mistura. Vinny e sua busca pela fuga de todo o concreto de Brasília. E gente nova. Conhecer. Rir. Mudar. Continuar.
Aprendi a fazer do Rio minha notícia boa.
--
Gabriel me fez entender a vida no Rio, os cariocas e seu abraço. Nossos dias na Tijuca ainda tinham muito dessas linhas que escrevi acima, mas foi o começo do desmanchar. Foi o tempo da cidade, não da praia. Scrumble, Gummy, comida da Tia Wanda, família, flauta transversa e passeios alternativíssimos para o Lucasof de então. A Floresta da Tijuca de All Star, foto lá no topo e bolhas nos pés. Os amigos, a faculdade, a estação Saens Peña e a praça Varnhagen, que o sotaque transformava em algo engraçado. As despedidas. "A onda ainda quebra na praia, espumas se misturam com o vento", canta Lenine quando rememoro.
Thais, a superlativa Thata, que define o Rio como "o mar, quatro quadras e uma enorme pedra", quando fomos juntos à um casamento, me fez voltar a pisar a areia, comer empada dos vendedores ambulantes, ouvir a música que entoam para vender mate, sanduíche natural, biscoito Globo. Entrar no mar, sorrir para o sol, caminhar sem rumo, sem porquê, feliz.
Com o Caio foram dias que alguns posts anteriores sintetizam melhor do que poderia fazer neste texto. Foram lindos. Foram tantas regatas e caipirinhas na praia, lanches no quarto do hotel. Shopping, claro, porque somos paulistas. As caminhadas no calçadão, ainda que trôpegas, poderiam ser uma gravação de videoclipe para música de Avril, que perseguimos e assustamos. A graça de um macaquinho comendo bolacha no caminho para o Cristo e seus incansáveis braços erguidos. E, asseguro, as memórias todas ainda estão lá. Acabei de conferir. As melhores, as coradas, sustentadas por muita isca de peixe. As outras, nubladas, choveram, permearam a areia e refizeram-se.
Bethânia declama o lado que menos visito, mas a aura do todo. “Foi Copacabana quem me recebeu, com seu cheiro de batata-frita e gasolina, suas tardes de raios e trovões inesperados e as suas noites inesquecíveis, mágicas”. O botão "stop" apertado na década de 1970.
Toda ida para lá carrega comigo um pouco de angústia; desafiar minha inerente solidão, o nada do mundo de História Sem Fim. Passa ao desembarcar, porque sei que ali existe alegria e calor. Em vez de Fantasia se desfazendo, é Pleasantville ganhando cores. Technicolor. São todas as músicas já compostas.
Por entre túneis escuros, ruas decadentes, casarões esfarelando, morros e artérias vermelha e amarela chega-se a visuais incríveis. São caminhos. Passagens.
O Rio e eu estamos constantemente fazendo as pazes, melancólicos como a voz de Johnny Cash. Pedindo um ao outro 'perdão pela duração dessa temporada, dizendo pros da pesada que vamos levando'.
Agora, cercado de amigos das mais diversas origens e corações, junto mais uma porção de lembranças sobre a cidade. Fe Fontes regeu esses dias com seu encanto que transborda. Lets e seu sorrisão atravessaram comigo a avenida atrás do bloco de carnaval, embaixo da chuva, depois de muito sol. É assim, mistura. Vinny e sua busca pela fuga de todo o concreto de Brasília. E gente nova. Conhecer. Rir. Mudar. Continuar.
Aprendi a fazer do Rio minha notícia boa.
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21 de jan. de 2013
Olhos de cão azul
"Agora creio que amanhã não a esquecerei. Mas sempre esqueço ao acordar quais são as palavras com que posso encontrar você"
14 de jan. de 2013
Pelas ruas
- O que está fazendo agora?
- Estou andando pelas ruas e maquinando.
- Maquinando o que?
- Sobre a vida. Queria saber fazê-la melhor, mais leve, num estalar de dedos.
- Às vezes a gente sabe.
- Como?
- Depende. Uma mudança de atitude, de pensamento, de foco. É difícil se desprender de certos sentimentos e atitudes. E às vezes dói. Tem que descobrir...
13 de jan. de 2013
Real and honest and normal against all odds
"... I know you’re inside those blue eyes somewhere and that there are so many things that you won’t understand tonight, but this is the only important one to take in: I love you, I love you, I love you. And I hope that if I say this three times, it will magically and perfectly enter into your soul, fill you with grace and the joy of knowing that you did good in this life."
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Para minha mãe, que enfrentou suas noites mais escuras para manter meus dias ensolarados. Que segura firme minha mão, ainda que sem entender bem algumas coisas, mas sem jamais titubear no amor.
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Para minha mãe, que enfrentou suas noites mais escuras para manter meus dias ensolarados. Que segura firme minha mão, ainda que sem entender bem algumas coisas, mas sem jamais titubear no amor.
11 de jan. de 2013
Break, blow, burn, and make me new
- Como você está?
- Arrumando a casa para os trinta.
- E como se sente?
- Ainda não sei. Uma confusão. Como é?
- É igual, mas é meio chique. Trinta... Tipo café sem açúcar, sabe?
- Bittersweet?
- Não é sobre o sabor, é sobre o todo. É meio chique. E o que quer na casa arrumada?
- Mais rumo, mais novidade, mais encanto, mais fidelidade, mais cafuné...
- Mais um monte...
- Arrumando a casa para os trinta.
- E como se sente?
- Ainda não sei. Uma confusão. Como é?
- É igual, mas é meio chique. Trinta... Tipo café sem açúcar, sabe?
- Bittersweet?
- Não é sobre o sabor, é sobre o todo. É meio chique. E o que quer na casa arrumada?
- Mais rumo, mais novidade, mais encanto, mais fidelidade, mais cafuné...
- Mais um monte...
6 de jan. de 2013
Ruby Sparks
"I'm sorry for every word I wrote to change you. I'm sorry for so many things. I couldn't see you when you were here and now that you're gone, I see you everywhere. You may see this and think it's magic, but falling in love is an act of magic - so is writing".
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Fomos um rito de passagem, do austríaco do porão ao Grito, de Edvard Munch, passando pelos 15' de Warhol.
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Fomos um rito de passagem, do austríaco do porão ao Grito, de Edvard Munch, passando pelos 15' de Warhol.
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